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Vaidades e ambições

PT quer Dino no Supremo e deixar Planalto livre para Haddad

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Armando Cardoso* - Foto Lula Marques/ABr

Depois da autoestima devolvida ao povo brasileiro por Juscelino Kubitschek, queiram ou não Luiz Inácio vem resgatando a soberania nacional e reposicionando o Brasil na geopolítica do mundo. Nessa altiva e fundamental empreitada, Lula não está só. Ministros, parlamentares, assessores e colaboradores compromissados com o futuro do país dão o necessário suporte ao chefe do Executivo. Com ou sem graça, a expertise política hoje grassa na Esplanada dos Ministérios, onde normalmente um ou outro nome se sobressai. A celebridade da vez atende por Flávio Dino de Castro e Costa, atual ministro da Justiça e da Segurança Pública. Por ele, Lula estaria disposto a bancar um recuo de 23 anos no tempo, mais especificamente no Supremo Tribunal Federal.

Embora saiba que o preço a ser pago será alto, uma nova mulher na Corte não parece ser a prioridade do presidente. Pelo menos por agora. Uma espécie de para-raios do governo, Dino seria uma mão na roda para Lula no STF, principalmente depois da conservadora indicação de Cristiano Zanin. Ex-juiz federal, ex-deputado federal, ex-governador de dois mandatos, senador eleito em 2022 e persona non grata na família Bolsonaro, o maranhense Flávio Dino vem despontando como favorito para ocupar a vaga a ser aberta no fim deste mês com a aposentadoria da ministra Rosa Weber, atual presidente da Corte. O jogo vem sendo jogado. Setores potentes do PT são simpáticos à indicação pelo peso político do ministro.

Outros têm simpatia por outro motivo: tiram da lista de potenciais presidenciáveis um dos ministros mais politizados do governo, ora filiado ao PSB do vice Geraldo Alckmin. Esse grupo não exclui a remota (mas possível) hipótese de uma futura traição. O “trabalho” de Michel Temer contra Dilma Rousseff está entalhado nos quatro cantos do gabinete presidencial e escaldou os petistas. Na prática, Flávio Dino no STF representa a solidez da pavimentação da estrada para Fernando Haddad. Isto, é claro, no caso de algum contratempo obrigar Luiz Inácio a desistir de um quase certo quarto mandato. Aí, nem Dino, Haddad ou o papa Francisco. Por enquanto, no caminho do ex-governador para o palácio defronte ao Planalto apenas o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, e o Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias.

Com seu jeito sexy de ser e com sua facilidade de se expressar e convencer qualquer ambiente, o gordinho mais odiado pelos patriotas enlouquecidamente frustrados com o fracasso do golpe e, agora, com o “abraço” do povo brasileiro a Lula da Silva, ficaria responsável pelo contraponto menos carinhoso com os bolsonaristas sem lastro Nunes Marques e André Mendonça, para os quais a tentativa de golpe no dia 8 de janeiro não passou de uma invenção dos comunistas. Os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Barroso e Cármen Lúcia já fazem isso, mas, como são mais antigos, precisam manter aceso o terrível morde e assopra da convivência, inclusive na escondida saleta reservada ao lanche das quatro. No tête-à-tête, duvido André Mendonça acusá-lo de falhas no 8 de janeiro.

Discípulo de Nelson Jobim, de quem foi secretário-geral no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Flávio Dino é visto com bons olhos pela maioria dos integrantes da Corte Suprema. Vaidades e ambições à parte, o titular da Justiça quer ser presidente da República ou magistrado da elite do Poder Judiciário? Cacife ele tem para lá ou para cá. Portanto, ser ou não ser, eis a questão. Sobre a irreversível briga com as mulheres, vale lembrar que, desde 2006, quando Cármen Lúcia tomou posse, o STF conta em seus quadros com duas mulheres. A primeira a ser indicada foi Ellen Gracie, que ficou até 2011, sendo substituída exatamente por Rosa Weber.

Com a dupla missão de senador eleito pelo povo maranhense e de superministro de Lula, Flávio Dino passou a ter apoio incondicional de Notibras tão logo apareceu no cenário nacional como um forte, corajoso, destemido e temido antagonista de Jair Bolsonaro, sobretudo no período mais difícil da pandemia de Covid 19. A recíproca, no entanto, não foi verdadeira, apesar de profundos laços de amizade. Faz três meses que estamos tentando uma entrevista propositiva com o ministro, mas sequer obtivemos uma merecida resposta da Ascom. Embora lamentemos o pouco caso da assessoria de Flávio Dino com Notibras, site que há mais de duas décadas formando opinião no Brasil, permanecemos à disposição e torcendo para que ele, lá ou cá, continue trabalhando pelo país.

*Presidente do Conselho Editorial de Notibras

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