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Favas a contar

Pule de dez, Lula não deve se considerar em berço esplêndido

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Uma das maiores lideranças brasileiras do século 20 e certamente a maior do século 21, o democrata Luiz Inácio Lula da Silva também se transformou em um líder continental. Pois é justamente isso que assusta o tirânico, centralizador, soberano e onipotente Donald Trump. Daí o investimento norte-americano na família Bolsonaro e na direita da América do Sul. Derrubar Lula e acabar com seu prestígio mundial é a palavra de ordem. Afinal, Lula da Silva é o cara para muitos mandatários de peso, entre eles o chinês Xi Jinping, o russo Vladimir Putin, ambos inimigos de Trump.

Todos esses predicados lhe garantiram uma posição de destaque nas eleições presidenciais de outubro próximo. Para metade mais dez do eleitorado brasileiro, Luiz Inácio é o que se chama nos jogos de azar de pule de dez, isto é, algo certo, garantido ou uma barbada. Considerando que eleição é quase um jogo de azar, todo cuidado é pouco. Aportuguesando a dica, até aqui morreu Neves. Deus ajuda quem trabalha, desde que o “quem”, no caso o candidato, faça sua parte.

Um ditado muito antigo diz que cobra que não anda não engole sapo. O provérbio significa que quem fica parado ou acomodado nem sempre consegue alcançar seus objetivos ou ter sucesso na vida, ou seja, sem esforço ou movimento nada de bom acontece. Traduzindo tudo isso, sem um mínimo de luta, dificilmente o ser humano normal, aquele que se limita a jogar nas quatro linhas, consegue alcançar o máximo. O sucesso exige trabalho e dedicação todos os dias.

É verdade que as baboseiras produzidas por seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, com apoio irrestrito dos seguidores da extrema-direita, parece assegurar a Lula o berço esplêndido. Em alguns momentos elas indicam que sua reeleição são favas contadas. Não acredite nisso, pois até a abertura das urnas muita água ainda há de rolar sob e sobre a ponte dessa na qual a imagem do Cruzeiro resplandece, mas nem tudo é ouro. Às vezes, os raios fulgidos da Terra adorada e do petismo podem cair em bosques diferentes e inimagináveis pelo povo da paz e do amor.

Mais sem graça do que uma sexta-feira 13 sem lobisomem, a tal Terceira Via, representada por Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), lembra aqueles times de pequeno investimento da Copa do Brasil. Contra as equipes do país, eles só fazem número. De qualquer maneira, é de bom alvitre Lula ser informado de que não pode parar de andar enquanto não ultrapassar o inferno que está por vir. Como um mantra, o presidente precisa gravar na memória que uma mentira dá uma volta inteira ao mundo, antes mesmo de a verdade ter a oportunidade de se vestir.

Para quem está bem próximo da quarta encarnação no Palácio do Planalto, sei que é exagero insistir na tese de Winston Churchill, eterno ex-primeiro-ministro do Reino Unido, para quem a coragem é a primeira das qualidades humanas, porque é ela que garante as demais. Lula também poderia se valer de um outro ensinamento político de Churchill, que é engolir as más palavras que não se dizem. Esse gesto nunca fez mal a ninguém. No jargão político do Brasil, talvez seja mais fácil dizer que, quando se tem de matar um adversário, não custa nada ser educado. Por fim, é importante jamais deixar de se preocupar com as ações, mas sim com a falta delas. De resto, continue guiando sua popular caravana e deixe que os cães ladrem sozinhos.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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