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Meu pai

Quando a culpa se transforma em lágrimas

Publicado

Autor/Imagem:
Dona Irene - Texto e Foto

Quando a culpa se transforma em lágrimas
e meus olhos cansados se fecham de dor,
penso no meu velho pai,
nas coisas que ele tanto desejou.

Penso nos sonhos que o tempo adiou,
nos caminhos que ele não pôde seguir,
nas alegrias que ainda esperava viver,
nos lugares onde queria chegar.

E então me lembro de sua coragem,
de seu jeito de enfrentar a vida sem medo,
da alegria que levava consigo,
mesmo quando os dias eram difíceis.

Dentro de mim vive meu pai.
Vive no que sou e no que ainda serei,
nos passos que dou com mais coragem,
nos sonhos que, por nós dois, realizarei.

Um pouco de mim continua por ele,
não para pagar uma dívida com a saudade,
mas para honrar sua história
com a vida que ainda me cabe viver.

E quando a culpa vier novamente,
tentando me dizer que faltou alguma coisa,
quero lembrar que o amor não termina
naquilo que não tivemos tempo de fazer.

Meu pai segue comigo,
em cada memória que o tempo não apaga,
em cada alegria que ainda me permito,
em cada sonho que finalmente acontece.

Talvez seja essa a forma mais bonita
de continuar sendo sua filha:
levar comigo o que ele me deixou
e viver também aquilo que a vida lhe devia.

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