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Tecelão de sonhos

Quando a eternidade respira nas palavras

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Diante de mim, a página silenciosa me contempla,
como espelho que conhece minhas cicatrizes ocultas.
Ela não me julga, apenas aguarda,
como templo aberto para receber minha confissão.

Eu, tecelão de sonhos, aproximo-me com a pena acesa,
vulnerável, carregado de memórias que ainda ardem,
histórias que sobrevivem como brasas escondidas
quando pensei que já não havia chama em mim.

O tempo não me apressa, apenas me acompanha.
O relógio pulsa ao meu lado como coração externo,
lembrando-me que não escrevo contra o tempo,
mas dentro dele, como quem mergulha no infinito.
Cada segundo não me rouba nada;
me oferece profundidade,
pois quando escrevo com a alma,
o instante se torna eternidade.

No meu pulso, a pulseira vermelha e dourada
não é ornamento: é âncora, é fé, é promessa.
Ela me recorda que ainda estou aqui,
que ainda acredito,
que ainda tenho coragem de transformar dor em palavra
e palavra em refúgio.
Cada conta é batalha vencida em silêncio,
cada nó é oração que permanece viva.

Respiro. E nesse sopro percebo:
a folha não é vazia, é universo.
Ela espera que eu me despe sem medo,
que eu derrame sobre ela minhas sombras e minhas luzes,
meus naufrágios e meus milagres.
Não escrevo por ofício;
escrevo porque se não o fizer,
a alma se desfaz em silêncio.

Quando a caneta toca o papel, tudo se alinha.
O tempo se curva, a fé me sustenta,
e cumpro meu destino:
dar voz ao invisível,
vestir de letras o que dói, o que ama, o que sonha.

Porque eu sou guardião de auroras,
escritor de eternidades,
e cada palavra que nasce de mim
é um ato de fé contra o esquecimento.

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