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VIDA BREVE

QUANDO A VIDA MUDA DE LUGAR

Publicado

Autor/Imagem:
Renan Damázio - Francisco Filipino

A vida é breve. Mais breve do que a gente imagina quando somos jovens. É mais rápida do que parece quando fazemos planos como se houvesse tempo de sobra. A verdade é que ela passa enquanto estamos ocupados vivendo, resolvendo coisas, criando expectativas, tentando entender o que ainda nem aconteceu. Quando nos damos conta, já atravessamos fases inteiras sem perceber direito como chegamos até aquele lugar.

Nascemos pequenos, dependentes, e logo começamos a descobrir o mundo. Aprendemos a rir antes mesmo de entender por quê. Depois aprendemos a chorar, a querer, a sentir falta, a se apegar. Crescemos, criamos vínculos e construímos histórias. Existem encontros que nos transformam e despedidas que nos silenciam. Em alguns momentos nos alegramos com pouco. Em outros, nem grandes conquistas parecem suficientes.

As pessoas se aproximam e se afastam, às vezes sem explicação. Amam, desamam, discutem, reconciliam-se. Há dias de entusiasmo e dias de cansaço. Há fases em que a fé é firme, outras em que a dúvida parece maior que tudo. E isso também faz parte. Nada na vida é estático. Nada permanece exatamente como era.

Com o tempo, vamos amadurecendo não porque sabemos mais, mas porque passamos a compreender que não controlamos tudo. Perdemos algumas coisas que achávamos indispensáveis e descobrimos que seguimos vivendo. Ganhamos outras que nunca tínhamos pedido e percebemos que eram necessárias. A vida vai nos moldando, às vezes com suavidade, e em outras vezes, com dureza, mas sempre nos colocando em movimento.

Tudo é transitório. As alegrias passam e as dores também. As certezas mudam de lugar. Aquilo que hoje parece definitivo, amanhã pode já não fazer o mesmo sentido. A própria existência é esse fluxo contínuo de nascer, crescer, mudar, refazer, recomeçar e, um dia, partir. Assim como vivemos, também morreremos. Essa é a condição comum a todos, sem exceção. E não há nisso desespero. Há, na verdade, um convite à consciência.

Se tudo passa, então talvez devamos viver com mais cuidado e menos pressa. Menos dureza e orgulho inútil, assim como menos disputas que não levam a lugar nenhum.
Não vale a pena gastar a vida inteira tentando vencer discussões, provar razões ou acumular pesos emocionais que só cansam a alma. Também não se trata de se apagar para evitar conflitos ou agradar a todos. Viver bem não é se anular. É encontrar equilíbrio. É agir com temperança, com discernimento, sabendo respeitar o outro sem abandonar a si mesmo. É sustentar o que é correto, sem arrogância. Ceder quando necessário, sem perder a dignidade.

Enquanto houver hoje (e só temos o hoje de forma concreta) que ele seja vivido com consciência. Faça o que você gosta, dentro do que é justo. Procure o que é bom, o que é honesto, o que não fere ninguém. Contente-se com aquilo que é simples e verdadeiro, porque é nisso que geralmente mora a paz que tanta gente procura longe demais.

Ser feliz é algo bonito, mas não transforme a felicidade numa obrigação ou em objetivo absoluto. Ela não é constante e eterna. Não é algo que se prende nas mãos. A felicidade aparece em momentos, às vezes discretos, quase silenciosos. Tá tudo bem que seja assim. Ela não foi feita para durar para sempre, assim como a própria vida não dura.

Talvez o verdadeiro sentido esteja menos em “ser feliz o tempo todo” e mais em viver com retidão, presença e humanidade. Em fazer o bem possível, não carregar mais do que se precisa e reconhecer que estamos todos atravessando essa mesma experiência passageira.

No fim, viver é isso. Caminhamos com serenidade dentro do que nos cabe, aprendemos a deixar ir o que já passou, acolhemos o que chega, e seguimos sendo imperfeitos, transitórios e humanos. É o que nos cabe e o que seja mais próximo possível de uma existência justa, consciente e em paz.

Que assim seja comigo e com você!

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Renan Damázio, carioca, é advogado, professor e poeta, autor do livro “Emoções e Reflexões”.

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