ANIVERSÁRIO DO POETA
Quarenta anos de Guilherme de Queiroz C. da Rocha
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Ocupar os lugares com poesia. Generosamente, fraternalmente. Este é um dos propósitos da minha vida: afirmar, sem cerimônia e sem pedágio, que há lugar para todos e para muitos no universo da literatura, sem limites, sem amarras. Da prosa poética ao conto, do conto ao ensaio, deste à crônica que colore o cotidiano, da crônica ao sangue-vivo-vermelho-vertente da poesia. É nesse território amplo, indisciplinado e hospitaleiro que a gente encontra pessoas boas. E eu não falo apenas de técnica, porque literatura boa, para mim, é mais a que fala ao coração do que à lógica, à razão; é a que chega primeiro como calor, e só depois como ideia.
Dentre essa gente boa, uma pessoa em especial: o Guilherme de Queiroz C. da Rocha (o C. é de Correia, gente). Advogado carioca, psicólogo, garoto tranquilo, Zona Sul, marido e pai, amigo fraterno de seus amigos. E também o poeta de lira mansa, daqueles que não empurram o verso, antes o oferecem. O poema dele parece uma brisa fresca no fim de uma linda tarde de verão, acariciando a nossa alma; um refrigério em dias difíceis; um abraço; a voz de um parceiro que diz “vai dar tudo certo”. Porque, se existe a inconstância dos dias, existe, por outro lado, a certeza do poema. E os dias se deixam preencher por essa poesia que ele dá ao mundo a partir do seu perfil no Instagram, @guiesuaspoesias, como quem abre uma janela sem pedir nada em troca, como quem ilumina sem fazer barulho.
Hoje, cinco de fevereiro, o poeta chega aos quarenta anos de idade. Quarentou: chega bem e forte a essa idade. E quarenta, eu desconfio, não é número; é estação. Tempo de compreender com mais serenidade que o tempo não nos mede. Ele nos lapida. Em você, Guilherme, essa lapidação tem a delicadeza dos que não fazem alarde do próprio brilho: a calma que não é distração, mas escolha; a fidelidade rara ao que importa; a coragem mansa de seguir escrevendo sem pedir licença ao ruído. Você vai deixando, por onde passa, uma presença que encosta no ombro de quem lê, acende uma lâmpada pequena no quarto escuro de alguém, devolve ao cotidiano uma dignidade que a pressa tenta roubar. Há gente que escreve bonito; e há gente que escreve como quem faz bem.
Eu não podia deixar a data passar sem homenageá-lo no nosso Café Literário. Que este aniversário seja mais do que celebração: seja confirmação. Confirmação de família, de amizade, de caminho. Que venham anos abundantes, com saúde, com riso, com os seus por perto, com a cidade ao redor e o coração por dentro, sempre em acordo com o que você é. E que o @guiesuaspoesias continue sendo essa varanda aberta onde muitos param um instante para respirar melhor. Hoje, eu só queria registrar, com afeto e gratidão, aquilo que a vida já vem dizendo em silêncio: é um privilégio caminhar ao lado de um amigo assim. Vida longa ao poeta! Que você siga ocupando os lugares com poesia, porque quando a poesia ocupa um lugar, a vida também aprende a caber melhor nele. Parabéns!
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Guilherme de Queiroz C. da Rocha, que hoje faz aniversário, é autor de “Esta Leitura é Gratuita”, em livro físico e e-book, pela Editora Patuá. Na foto, Guilherme e eu estávamos na I Mostra Literária da OAB-RJ. Amanhã tem poesia inédita dele aqui no Café Literário.