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Pesadelos onomatopeicos

Quase na rua da amargura, resta a 03 o epíteto de Fritador de Hambúrguer

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Jr - Foto de Arquivo

A frase “quem tem olho grande não entra na China” é um ditado popular que une o conceito de inveja (olho grande) com a ideia de que a cobiça excessiva impede o acesso ao poder ou o sucesso em locais de reconhecido potencial econômico. Adaptado para um contexto moral, o provérbio significa que a ganância impede a entrada no “céu”. Em resumo, é um aviso de que a cobiça, a inveja e a ambição desmedida são barreiras para a prosperidade e para o acesso a boas oportunidades. Se quiserem, podemos sintetizar o antigo adágio na expressão quem quer demais, acaba ficando sem nada.

Também conhecidas por aforismos, as duas máximas parecem ter sido criadas para a família de Jair Bolsonaro. Loucos, febris e inebriados pelo poder a qualquer custo, seus integrantes não medem esforços para alcançá-lo. Foram capazes do pecado maior contra a democracia. Fracassaram no golpe, mas continuam desesperados e com o apetite cada vez mais voraz pelo retorno ao Palácio do Planalto. No entanto, as fotos, os fatos, o Judiciário e, principalmente, os conflitos internos não têm ajudado. Pelo contrário.

Além do desaparecimento de Jair Bolsonaro e da insistência do clã em se manter na liderança da extrema-direita, há uma caveira de burro enterrada no caminho de todos aqueles que surgem como provável potencial adversário de Luiz Inácio nas eleições presidenciais de 2026. Embora soem como, a caveira e o burro não representam somente um simbolismo, uma superstição ou uma lenda urbana. Eles são a realidade da direita sem rumo e da extrema-direita sem nexo. Associadas, elas só deram certo enquanto uma dependia da outra para que se mantivessem forte no espectro político.

A vitória de Lula e a consequente derrocada de Jair Messias trouxeram para o cenário nacional uma figura apagada do ponto de vista do poder, mas peçonhenta para o país e tóxica, perniciosa e maléfica para seus próprios pares. É assim que a maioria dos parlamentares e demais integrantes dos partidos que orbitam em torno do clã deve se referir ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro, cuja trajetória nesses dois últimos anos serviu, a meu ver, para jogar a última pá de cal sobre o sonho presidencial da direita.

Disposto a não dividir o capital eleitoral do pai, Dudu do Hambúrguer só não chamou os aliados mais próximos de santos. Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas chegou a ser visto como o único capaz de derrotar Lula da Silva. Talvez seja essa a razão pela qual Tarcísio se transformou na principal vítima da inveja mortal de Dudu Chapeiro. Foram tantos os ataques políticos e pessoais que, caso houvesse pedidos formais do comando petista, provavelmente o governador se candidatasse à vice-presidente na chapa de Luiz Inácio.

Com muito menos poder do que supunha, o ex-deputado chafurdou na lama bolsonarista, meteu o pé na jaca e, em meio a seus pesadelos onomatopeicos, pensou que poderia usar Donald Trump e os Estados Unidos contra o Brasil, contra Lula e contra ministros do STF. Pensou e se danou. Dançou no tarifaço, nas sanções a Alexandre de Moraes, nas críticas a Flávio Dino e acabou, como todos os farsantes, na rua da amargura. Sem mandato, sem força política e sem amigos, resta a Eduardo Bolsonaro o epíteto de Fritador de Hambúrguer e a desnecessidade de gastar seu tempo dando explicações. Seus familiares não precisam delas, os inimigos não acreditam e os estúpidos não entendem. Portanto, melhor se calar hoje e para sempre.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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