Sou leve
Que nem nascida do silêncio das folhas
Publicado
em
Autor/Imagem:
Luiza Negreiros - Foto Francisco Filipino
Sou leve
como quem nasceu do silêncio das folhas.
Abro as asas ainda úmidas
e o mundo inteiro me parece jardim.
Vou de flor em flor,
experimento cores,
provo o açúcar escondido
no fundo de cada cálice.
Cada perfume me promete eternidade.
Jasmim, lavanda, rosa aberta ao sol
mas eu nunca fico.
Pouso, sinto, parto.
O vento me chama pelo nome
que muda a cada paisagem.
À tarde, minhas asas já carregam
pólen de muitas histórias,
e ainda assim
há um vazio delicado no meu voo.
Nenhuma raiz conhece meu peso.
Nenhuma pétala guardou meu cansaço.
Quando o céu começa a escurecer,
percebo:
confundi intensidade com amor.
Beijei tantas flores
e não pertenço a nenhuma.
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