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Indignidade política

Quem ama e se orgulha defende o Brasil

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Como o Brasil seria diferente se o povo que se autointitula mais patriota do que os demais compatriotas realmente tivessem orgulho de ser brasileiro. No mínimo, estaríamos mais unidos. No máximo, mas respeitados internacionalmente. Se esse amor fosse mais verdadeiro e menos midiático, certamente estaríamos bem mais próximos da real construção de uma nação justa e igualitária. Não basta usar as redes sociais para anunciar que vivemos em um país abençoado por Deus e bonito por natureza. É preciso participar.

Aliás, pior do que se esconder para falar do amor ao berço é perceber que os brasileiros que se dizem cada vez mais orgulhosos de ser brasileiros não moram no Brasil. Meu amor pela pátria é honesto, incorruptível e não precisa ser financiado para se manter. Quem ama o Brasil defende os interesses do Brasil. Meu tipo de orgulho é barato, nacional e inclusivo. Por exemplo, como impedir que não seja de todos um solo de cores vibrantes, ritmos contagiantes e uma diversidade cultural encantadora?

Ainda mais bestial é chamar de suas as cores, o bordão e o peso do Pavilhão Nacional e da camisa canarinho da Seleção Brasileira. Independentemente da vontade de um segmento político superior, unilateral e supostamente acima de qualquer suspeita, elas também são minhas e de toda a população do país, incluindo os nordestinos, irmãos que, pela indecência da política suja e asquerosa, por pouco não foram impedidos de votar por aqueles que não admitem ficar longe do poder.

“Brasil, meu Brasil brasileiro, terra de samba e de sol”. Que bom que se orgulhassem de você o ano inteiro. Esperar quatro anos por uma Copa do Mundo ou aguardar um ciclo eleitoral para torcer pela derrota de um bravo apenas porque prefere o brabo não significa exaltação específica ou temporária. Pelo contrário. A frase cunhada e imortalizada por Dom Pedro I em 1822 não deve ser vista somente como slogan de campanha ideológica. Independência ou morte representou a ruptura do Brasil com Portugal, mas não dos brasileiros com os brasileiros.

Muito mais importante do que o patriotismo de conveniência ou de manifestações fortuitas deveria ser mostrar, com o coração puro e sem nada barganhar, que podemos espalhar e semear mudanças sem narcisismo, ódio, pedantismo ou ideologia. Considerando que o Brasil é o lugar onde até a saudade é cheia de bossa nova poesia, alguém achar que Jair, Flávio e Eduardo Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Sóstenes Cavalcante e Damares Alves são de Deus e só Lula é do Diabo é sinônimo de não ter como se orgulhar nem de si mesmo.

Nos tempos atuais, mantenho indissolúvel e cada vez maior meu orgulho de ser brasileiro. Entretanto, por conta da baixaria política e, sobretudo, pela indignidade de nossos políticos, nem sempre  tenho o mesmo orgulho do Brasil. Já se foi o tempo em que nossa simpatia e acolhimento eram nossas principais características para o mundo. Hoje, o valor de nossa gente e de nossa terra lembra uma moeda de dez tostões. Não há mais simpatia sequer entre nós. Infelizmente, viver no Brasil do patriotismo de golpes e de quebradeiras é, como disse Paulo Freire, em si, um ato revolucionário.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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