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No automático

Quis custodiet ipsos custodes?

Publicado

Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

Não sei se você já pensou nisso… acredito que não. Mas já reparou que, na maior parte do tempo, andamos por esse mundo no automático, sem um rumo definido por nós? Sim, temos uma diretriz a seguir, mas geralmente ela nos foi entregue por outrem, e esperam que demos conta da tarefa que nos foi imposta…

Pertencemos a vários núcleos sociais simultaneamente. Cada um deles com uma finalidade diferente. E todos ocupam graus de importância em nosso dia a dia. E todos esperando que cumpramos nossa meta, seja ela qual for…

O mundo vive de expectativas. Que são depositadas em nós. As várias agremiações as quais pertencemos, mesmo que não tenham nenhum nome social ou mesmo uma sede física para compartilhar, esperam que cumpramos nossa obrigação para com elas e confirmemos sua relevância para a sociedade…

Sim, pertencemos a diversos núcleos sociais, as vezes todos ao mesmo tempo, embora cada um tenha uma necessidade diferente. As vezes até discordantes uma das outras… e nossa tarefa é suprir essas imposições, que estão além de nosso controle…

Exemplos existem aos montes. Todos à nossa frente. Claro, há uma fase em nossa vida em que a cobrança não é tão rígida… mas isso não significa que não exista. Exemplo? Bem, na sua infância não te era cobrado certos resultados, ao menos no inicio. Mas, aos poucos, conforme foi crescendo sua lista daquilo que podia ou não fazer começou a se desenvolver…

No inicio te ajudaram a se levantar, te apoiaram… te ensinaram a caminhar. Mas, mesmo nessa fase, você tinha algumas obrigações a cumprir. Que foram ensinadas de uma forma bem tranquila. Gentil. Era o início de sua caminhada, e precisavam te preparar para o mundo que, dali a algum tempo, iria desbravar…

Você aprendeu que na vida social há uma hierarquia. Que existe uma cadeia de comando. Que não é igual em todos os lugares, mas que a linha de autoridade tinha que ser seguida, ou poderia haver ruptura na própria estrutura do grupo…

Sim, embora algumas mentes costumem difundir a Anarquia como um sistema ideal, a vida em grupo não se sustentaria em uma sociedade anárquica, sem controle… porque se não houver limites impostos, cada um tenta fazer valer a sua vontade. Regras existem para que a convivência entre as pessoas siga sem atritos. Ou, que pelo menos, não sejam tão agressivos contra o grupo em geral…

Por mais que não gostemos da ideia, seguimos vários líderes nas diversas frentes que seguimos. Seja em um clube, no emprego, na igreja, na família… Não importa qual núcleo, sempre estaremos seguindo alguém… em determinados momentos alguém irá nos seguir. Afinal, essa é a dinâmica de nosso mundo social…

O ápice de nossa vida é quando nos tornamos a referência de um dos grupos dos quais participamos. Continuamos sem saber exatamente o que estamos fazendo, mas estamos conduzindo um grupo. E não é porque somos a cabeça desse grupo que não obedecemos a ordens de alguém. Há sempre um superior, que nos passa as diretrizes…

E é justamente esse o ponto mais intrigante. Se, mesmo estando à frente de um grupo, sendo o líder deste… sendo aquele que passa as instruções que as pessoas deverão seguir… bem, na verdade estamos apenas repassando instruções que recebemos de alguém que está um patamar acima. E esse alguém também responde a outro que está além dele… e assim, sucessivamente… Bem, se todos nós obedecemos a ordens de alguém que não conhecemos, quem seria o Mandatário-Mor, aquele que decide realmente nossos destinos? É algo para se pensar…

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