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Faltam tática e técnica

Rachada, direita será engolida por Lula

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto Editoria de Imagens/IA

Fosse eu um dos seguidores dos preceitos da extrema-direita, pregadores dos “ensinamentos” da direita ou apenas correligionário do PL de Valdemar Costa Neto e do clã Bolsonaro, mais do que as barbas de molho, a essa altura estaria tentando uma vaga em uma das aeronaves espaciais de Elon Musk e partindo para Marte, Júpiter, Plutão ou para a Argentina. Seria algum receio da vitória antecipada de Luiz Inácio Lula da Silva? Pior do que isso. Os fantasmas de Flávio Bolsonaro e sua trupe têm nome, CPF, endereço, filiação partidária, muito mais competência e, pasmem, muito menos arrogância.

Representantes da chamada Terceira Via, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) provavelmente ganharão um pouco mais de experiência nas eleições presidenciais de outubro. Entretanto, se é que realmente assustam, eles podem incomodar Lula, mas apavoram o bolsonarismo que ajudaram a criar em 2018 e apoiaram em 2022. Como nada de anormal ocorre neste país sem a intolerável e satânica presença do Centrão, Caiado e Zema estão no mercado palaciano muito mais para tumultuar do que para se elegerem.

De qualquer maneira, como à noite todos os gatos são pardos, todo cuidado é pouco com aqueles que, para ganhar um vintém, são capazes de leiloar a mãe. Podem até não entregar a genitora, mas farão um estardalhaço antes de qualquer justificativa para o descumprimento do prometido. Por exemplo, na direção exigida por Donald Trump, Ronaldo Caiado, que é contrário às rachadinhas, vem prometendo transformar facções criminosas em organizações terroristas. Obviamente que as milícias do Rio de Janeiro também serão incluídas, principalmente as localizadas nas bases eleitorais do clã.

Também favorável à nova classificação das facções, Romeu Zema denomina as emendas parlamentares como o grande mal do Brasil e chama de imperdoável a ligação de Flávio Bolsonaro para pedir dinheiro a Daniel Vorcaro. Ou seja, Lula à parte, até agora é a direita tentando comer o fígado da extrema-direita e os extremistas jurando que cortarão o saco dos direitistas. A se confirmar tudo disso, será um Deus nos acuda contra o Deus que sempre esteve acima de tudo, mas nunca em cima de todos.

Como no fracassado overlapping do falecido técnico de futebol Cláudio Coutinho, dificilmente PL, PSD e Novo conseguirão celebrar uma jogada tática daquela em que um jogador sem a bola (ou sem voto) passa por trás de um companheiro (?) de empreitada política para receber a pelota em profundidade. A ideia do treinador era criar uma situação de superioridade numérica capaz de confundir o adversário. No jargão político, os postulantes com avaliação aquém do esperado estariam livres para cruzar ou tocar na frente para o preferido dos eleitores.

Considerando que a união não é um termo de ordem para nenhum dos três candidatos conservadores, o problema dos três acaba sendo dois: macaco velho, o adversário tem uma zaga de peso. Pior ainda é que ele mesmo é o goleiro, o técnico e o lateral que apoia o ataque. Portanto, desacreditando em tudo o que já foi dito e nunca foi feito, só peço ao Deus de todos os brasileiros para me livrar do mal disfarçado de bem querer. Aos que insistem em pregar contra o que está posto, sugiro que reflitam sobre a máxima do psicólogo e teólogo americano Mark W. Baker, para quem “algumas pessoas não entendem que a Terra gira ao redor do sol e não em torno delas”.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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