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Ramagem tenta dar “migué”, mas Mickey veta golpista
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Condenado por tentativa de golpe de Estado, Alexandre Ramagem decidiu fugir para os Estados Unidos em busca de asilo político, talvez imaginando encontrar acolhimento. O desfecho, porém, foi irônico: acabou preso pela polícia anti-imigração de Donald Trump, símbolo máximo de uma política dura contra estrangeiros. Essa sequência de eventos possui uma ironia evidente, mas também é pedagógica.
Não se trata apenas de um episódio curioso, mas de um retrato das contradições de uma trajetória. Ramagem ocupou cargos de enorme relevância institucional: foi diretor da ABIN, delegado da Polícia Federal e deputado federal. Funções que exigem compromisso com a legalidade, com a Constituição e com a estabilidade democrática. No entanto, escolheu trilhar um caminho que culmina em uma condenação por tentativa de ruptura institucional, manchando sua biografia e também desmoralizando as instituições que um dia representou. O contraste entre o passado de autoridade e o presente de fugitivo detido no exterior é, por si só, uma queda vertiginosa e vergonhosa.
Há uma espécie de coerência dura quando alguém que atentou contra o Estado de Direito termina submetido a ele, ainda que de forma tardia e constrangedora. O destino, nesse caso, não foi cruel; foi proporcional. E se há um lugar simbólico para encerrar essa trajetória, ele atende pelo nome de Papuda.