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Comadres no ringue

Rebeldes sem causa mancham imagem do Brasil

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Mais insano do que as guerras envolvendo Rússia, Ucrânia, Israel, Hamas e Irã, mais repetitivo do que a Sessão da Tarde e pior do que os conflitos estimulados do Big Brother Brasil, os embates envolvendo Legislativo, Executivo e Judiciário tem um único objetivo: a primazia do comando. Difícil, porque, como prega a Constituição Federal, os poderes são harmônicos, mas independentes entre si. O problema é fazer de entendidos os desentendidos chefes, principalmente os da Câmara e do Senado. Enquanto eles brigam de gilete, estilingue e navalha contra Lula da Silva e contra Alexandre de Moraes, o povo brasileiro morre de vergonha diante da repercussão internacional das briguinhas de comadres.

Pode parecer exagero, mas não é. É o Brasil de nossos dias. É o país que Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG) herdaram do mito de barro, que, sem saber o que fazer como presidente, liberou geral. Desde então, o Congresso esqueceu o povo necessitado e passou a legislar exclusivamente em benefício de seus 584 integrantes, inclusive os que, por conta de ações ilícitas ou criminosas, estão recolhidos à prisão. As milionárias emendas parlamentares individuais, de bancada, de comissão e as de relatoria são a prova de que há uma inversão de valores na condução do país. Como veem, a fila do dinheiro público é grande e voraz.

Não tenho vocação para economia. No entanto, sabidamente essas emendas engrossam os gastos públicos em escala muito maior do que a maioria das demais rubricas orçamentárias. Se sobrar algum rebotalho, a saúde, a segurança e a educação agradecem. Se a intenção é desconstruir a nação, acabar com o que está sendo feito, o alcance está próximo. Todavia, a conta futura também será devastadora. A resposta começará a chegar nas próximas eleições municipais e geral. Até agora, os rebeldes sem causa do Congresso não estão nem aí.

Com a cara de pau que o capetão lhes conferiu, eles só trabalham em favor do fuzuê. São os mesmos que, um dia, rotularam os senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho e o ex-senador e atual deputado federal Eunício Oliveira, entre outros, de “bandidos”. Pelo menos na época deles não havia sequer fumaça de similaridade dos grupelhos de direita ou de extrema-direita com as facções criminosas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Hoje, o fogaréu da vaidade e as brasas que levam ao poder absoluto são tão claros como já foi o céu do Brasil em dias de primavera, particularmente o de Brasília.

Com o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo e adjacências, e do Comando Vermelho (CV), no Rio de Janeiro, tudo indica que, ainda que simbolicamente, teremos em breve o Primeiro e Único Comando do Brasil (PUCB) na Câmara, com ramificações no Senado. A diferença entre eles é simples: o PCC e o CV só pensam em dinheiro, enquanto o hipotético PUCB lutaria pelo poder total, ou seja, teria as rédeas, o leme e a regência da nação. O dinheiro seria consequência. Na verdade, já é. Curioso é que eles só falam em liberdade, pátria e família. E convencem a alguns. Temo pelo dia em que voltaremos a ser obrigados a entoar louvores para agradar os pregadores do horror.

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