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Panorama Político, por João Zisman

Redes sociais ajudam a mostrar a cara, mas não garantem voto nas urnas

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João Zisman - Foto de Arquivo

A corrida eleitoral no Distrito Federal entra numa fase em que os pré-candidatos precisam conciliar duas campanhas diferentes. Uma acontece nas redes sociais, onde visibilidade, frequência e capacidade de produzir conteúdo ampliam o reconhecimento dos nomes. A outra permanece nas ruas, em reuniões comunitárias, eventos partidários, agendas nas regiões administrativas e contatos diretos com lideranças locais.

Essa combinação é a principal receita para conquistar votos. A tecnologia ampliou o alcance das candidaturas, mas não eliminou a importância da presença física. Em uma eleição distrital, na qual o desempenho depende de bases territoriais e redes locais de influência, as plataformas digitais ajudam a apresentar o candidato, enquanto o trabalho presencial consolida vínculos e organiza apoiadores.

A leitura política é que campanhas sustentadas apenas por impulsionamento, produção audiovisual ou popularidade nas redes tendem a encontrar limites quando precisam converter audiência em estrutura eleitoral. O inverso também ocorre: candidaturas com presença comunitária, mas incapazes de construir uma narrativa digital, correm o risco de permanecer restritas aos próprios redutos.

Esse equilíbrio será especialmente importante nas disputas proporcionais. Deputados distritais e federais precisarão combinar identidade política, capacidade de mobilização e delimitação territorial. Para as candidaturas majoritárias, o desafio será transformar o reconhecimento público em confiança eleitoral, num cenário em que parte significativa do eleitor ainda acompanha o processo sem decisão consolidada.

A campanha de 2026 no Distrito Federal não será decidida apenas pela força das alianças ou pela quantidade de recursos disponíveis. A disputa exigirá coordenação entre território, comunicação e estrutura partidária. As redes ajudam a fabricar presença, mas a campanha precisa demonstrar que essa presença corresponde a vínculos políticos reais.

O principal risco para os candidatos é confundir alcance digital com intenção de voto. Curtidas, visualizações e compartilhamentos podem elevar a exposição, mas não substituem o trabalho de base, o conhecimento das diferenças entre as regiões administrativas nem a capacidade de organizar militantes e apoiadores.

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