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Na corda bamba

Reprovação em casa despertou em Trump o diabinho da guerra

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Cada vez mais perto da caçapa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump sabe que seu tarifaço fez muito mal e, por pouco, não colapsou a economia norte-americana. Faz tempo que o líder republicano pisa em arame farpado. O caldo começou a entornar quando seus meganhas mataram dois americanos que insurgiram contra a política criminosa de deportação de imigrantes. O bicho pegou de vez após a Suprema Corte derrubar a taxação que ele havia imposto a produtos importados de centenas de nações.

De lá para cá, Trump vive na corda bamba. O trem deve descarrilar de vez em novembro, quando dezenas de milhões de cidadãos americanos irão às urnas a população local se reunirá para renovar os 435 assentos da Câmara dos Representantes, um terço dos 100 senadores (dois por estado), além de governadores, prefeitos, legisladores estaduais e autoridades regionais. Atualmente, os republicanos controlam a Câmara por uma diferença de apenas duas cadeiras.

Diante da alta desaprovação de seu governo e da catástrofe em que se transformou a economia estadunidense, Donald Trump deverá perder o controle do Congresso.  Até agora, todas as projeções indicam favoritismo para a oposição democrata reconquistar a Câmara. Como as eleições de meio mandato servem como referendo sobre o atual governo e para definir os próximos dois da política americana, em caso de derrota Trump estará seriamente ameaçado de sofrer impeachment.

A provável mudança na configuração do Capitólio (Legislativo) afetará a governabilidade do presidente republicano para o restante de seu mandato. Conforme responsáveis por iniciar os projetos de lei de gastos do governo, são os deputados que definem a agenda fiscal para os dois últimos anos de presidência. Com os democratas no comando, Trump e seus miquinhos amestrados terão de negociar para garantir o funcionamento da máquina administrativa.

Dito tudo isso, Donald Trump tem poder, é forte politicamente, tem as chaves da economia mundial, mas está longe da imagem de dono do mundo que ele mesmo criou. Por isso, nada melhor do que “investir” em guerras para tentar não perder o ímpeto dominador que ainda lhe resta. Como coisa alguma me surpreende em Trump, me parece cristalina a sensação de que as recentes ameaças econômicas e a invasão do Irã são a cortina de fumaça que o presidente precisa para impedir a realização das eleições de meio de mandato. Não há dúvida de que a reprovação popular e o medo de os democratas recuperarem o controle da Câmara despertaram o diabinho da guerra que o presidente carrega no peito desde o primeiro dia do primeiro mandato.

As justificativas para as invasões são a prova de que o caos mundial é o pretexto ideal para ele consolidar o controle global. O que me causa espécie é a naturalidade como Donald Trump e seu menino de recados Benjamin Netanyahu anunciam as guerras. Pior é o cinismo dos aliados. Como síndicos do planeta, ambos convocam o mundo para uma nova assembleia geral de agressões e mortes, mas não disfarçam o crime da guerra com o pretexto de justiça. Mesmo com o poderio de que dispõe, Donald Trump precisa ser informado que, seja qual for o motivo da guerra, todos perdem. Até quem acredita que venceu. Certamente ele descobrirá em novembro que só os derrotados conhecem o desfecho de uma batalha.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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