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Roteiro ultrapassado

Rodeios falsos de Milei não cabem sequer para os ‘hermanos’

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Escroque, estúpido, chucro e misógino seriam os adjetivos mais corriqueiros, fáceis e simpáticos para definir o presidente da Argentina, Javier Milei. O problema é seu deliberado distanciamento das mulheres, sua política ostensiva contra o feminismo e o desmantelamento de políticas públicas de gênero. Sem qualquer ilação com relação ao troglodita Milei, mas, de mulher para mulher, a dúvida atroz é simples: ele não gosta das mulheres ou de mulheres. Secretária-Geral da Presidência e verdadeiro “braço direito” do hermano na Casa Rosada, Karina Milei, sua irmã, que nos informe.

Pelo sim, pelo não, ele precisa dar o ar da graça antes de pisar em terras de macho para tentar pisotear um ministro da Suprema Corte. Alexandre de Moraes é careca, inimigo mortal da bandidagem e Satanás de rabo pousado no diabólico lar dos Bolsonaro, mas tem história pública, esposa, filhos e um nome a zelar. Aliás, os “parceiros” brasileiros de Milei no histriônico e barato autoritarismo bolsonarista podem ser os piores homens do Brasil – e são -, mas todos têm mulheres. Todos? Enfim, Javier Milei é como caviar e foie gras: nunca vi, eu só ouço falar.

Sobre a participação do líder (?) portenho na convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como presidenciável do PL de Valdemar Costa Neto, pouco a declarar, além da necessidade da família do outro mundo em cultuar personas non gratas ao Brasil e a se submeter à política tacanha de governos estrangeiros. Ou seja, na de novo no clã sem propostas, projetos, ideias e compromissos. Só bravatas, golpismos, adjetivações chulas e irresponsabilidades políticas. O tariFlávio está aí.

Antes de sugerir que a Nasa estude de A a Z todos os compêndios relativos ao mau caratismo, indago aos bravos companheiros que se insurgem contra as barbáries familiares quem é o primeiro na cadeia “alimentar” do manager de doidões Donald Trump? Eu não sou? Dilma Rousseff, Marina Silva, Virginia Fonseca, Gisele Bündchen e os aiatolás também não. Margaret Tatcher e a Rainha Elizabeth estão em plano mais seguro, mas certamente jamais seriam. Quem sobra? Que venha a Nasa.

Para sorte dos bolsonaristas, a presença de Milei no muro das lamentações do clã do além ofuscou temporariamente o fracasso desenhado sem borracha pelo eleitorado brasileiro para a candidatura que, sem noção da realidade, se apresenta como salvadora da pátria. Embora tenham tentado demonstrar o contrário com desculpas de última hora, a crise familiar continua assustando de Jair a Valdemar, de Flávio a Eduardo, de Trump a Javier e de Sóstenes Cavalcante a milhões de brasileiros que morrem de medo da quarta encarnação de Lula.

Ensaios que acabam na página 2 e espasmos de seriedade à parte, o Brasil varonil com V de verdade não merece mais candidaturas com roteiros falsos e com placas texanas golpistas e retrógradas amarradas ao peito. Como a de Flávio Bolsonaro desagrada até o Diabo fantasiado de Valdemar Costa Neto e de Olavo de Carvalho, resta aos bolsonaristas menos radicais rezar e pedir a Deus para que evitem que os brasileiros pós-2026 tenham o mesmo destino dos argentinos. Não deve ser fácil engolir Milei quem tem Messi e já teve Juan Domingo e Evita Perón, Diego Armando Maradona, Raúl Alfonsín, Carlos Menem e Fernando de la Rúa. Imaginem sonhar com Luiz Inácio e ter pesadelos com mais um Bolsonaro. Vá de retro, Milei!

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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