Rio
Roubo de obras de Monet, Picasso e Dalí prescreve após 20 anos
Publicado
em
Sexta-feira de Carnaval, 24 de fevereiro de 2006. Enquanto as ladeiras sinuosas de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, são tomadas por sons de marchinhas e sambas tradicionais, um grupo de homens carrega nos braços quadros de Claude Monet, Salvador Dalí, Pablo Picasso e Henri Matisse.
Era dia de apresentação do Bloco das Carmelitas, mas a cena não fazia parte da festa. Ali, em meio à uma multidão de foliões, acontecia aquele que é considerado um dos maiores roubos de obras de arte do Brasil e um dos dez maiores do mundo, segundo o FBI – principal departamento de investigação dos Estados Unidos.
“Eu estava lá no dia. Os policiais tentavam passar pelo bloco e não conseguiam, porque a gente jogava latinha neles. Ninguém tinha ideia do que estava acontecendo. A gente pensava que era algo acontecendo dentro do próprio Carmelitas, como furto ou outra confusão”, lembra o produtor Daniel Furiati.
Os criminosos pularam os muros do Museu da Chácara do Céu e sumiram pelas ruas do bairro com cinco peças. Juntas, elas valiam mais de US$ 10 milhões na época (R$ 52 milhões, na conversão atual). As obras e os assaltantes jamais foram encontrados.
Passados 20 anos, o crime prescreve oficialmente nesta semana e os responsáveis pelo roubo não poderão mais ser punidos.
Suspeitos
Nesse tempo todo, três nomes figuraram na lista de suspeitos principais do crime. A primeira linha de investigação envolveu Paulo Gessé, dono de uma kombi branca, em que pelo menos uma das obras de arte teria sido transportada. A polícia suspeitava que ele fosse cúmplice de outros quatro assaltantes.
A delegada responsável pelo caso grampeou o celular do motorista, mas não conseguiu que as ligações fossem gravadas no banco de dados da corporação. Ela decidiu, então, registrar tudo manualmente.
Gessé chegou a ter a residência vasculhada e a ser preso por alguns dias. A Justiça, porém, entendeu que não havia nada de concreto para torná-lo réu e determinou que ele fosse solto.
Denúncias anônimas adicionaram mais dois homens à lista. Michel Cohen, negociador francês de pinturas, acusado nos Estados Unidos de obter US$ 50 milhões em operações fraudulentas.
Em maio de 2003, portanto antes do crime, Cohen chegou foi preso pela Interpol no Rio de Janeiro, mas conseguiu fugir em dezembro do mesmo ano. A suspeita é de que ele também estivesse envolvido no caso da Chácara do Céu em 2006.
O francês permaneceu com paradeiro desconhecido por dezesseis anos e só foi reaparecer publicamente quando aceitou fazer parte do documentário O Golpe de Arte de 50 Milhões de Dólares, exibido em 2019 pela BBC. As últimas informações disponíveis dão conta de que continue escondido da Interpol.
Outro francês, o artesão radicado no Brasil Patrice Rouge também foi incluído como suspeito. Dois endereços atribuídos a ele no Rio de Janeiro foram alvo de diligências policiais. As residências, no entanto, estavam vazias e os agentes nunca mais voltaram.