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Fracasso anunciado

Seleção enterra de vez era do Brasil do futebol

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Diante de mais um frustrante fracasso da Seleção Brasileira – o sétimo consecutivo -, bem que eu poderia recorrer àquele batido, mas atualíssimo clichê do lendário humorista e jornalista Barão de Itararé: De onde ninguém espera coisa alguma é que não sai nada mesmo. Essa máxima ficou conhecida por ironizar situações, projetos, pessoas ou grupos nos quais não se deve depositar expectativas, já que nada de útil ou surpreendente costuma surgir delas. Apesar do empenho de alguns, foi o que ocorreu com o selecionado de Carlo Ancelotti, Vini Júnior e Neymar Júnior. Na verdade, o fracasso estava anunciado desde as Eliminatórias.

Sem repertório, sem talento, sem zaga, sem meio de campo e com excesso de passes para os lados e para trás, até conseguimos ir longe demais. Como patriota que tem orgulho do país, torci enquanto pude. Torci até mesmo quando o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), postou em sua rede social que Bruno Guimarães havia perdido o pênalti aos 13 minutos, numa alusão clara ao número da sorte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Esse é um dos patriotas idolatrados pela extrema-direita, cuja estupidez chega ao ponto de torcer pela derrota dos “canarinhos”. Sóstenes poderia aproveitar a oportunidade para explicar de onde veio a dinheirama que a Polícia Federal encontrou em sua casa e na casa de um assessor. O Brasil perdeu no futebol, mas ganhará em outubro, quando a maioria dos eleitores mandará para aquela ponte que partiu todos os que jogam contra a pátria amada.

A sintonia entre torcedores, políticos e jogadores deveria ser extensiva aos 365 dias de todos os anos. Não basta ser Seleção Brasileira e preferir amar o Brasil a distância, isto é, bem longe da Pátria Amada. Como amar a Seleção e ignorar seu próprio país? Que me perdoem os que agem dessa forma, mas não há jeito mais grosseiro e imbecil de mostrar patriotismo. Pior são aqueles que se reconciliam com a nação conforme o governante. Ser patriota é morrer pela pátria e não matar pelo poder. Sou e sempre serei contra os que veem o poder de forma unilateral, ou seja, somente no próprio umbigo.

À esquerda, à direita, penta, hexa ou fora da Copa, jamais me envergonharei de ser brasileiro. Eu tenho orgulho de ser brasileiro e só me envergonho dos políticos corruptos e dos arremedos de políticos que desrespeitam, negociam e, se puderem, entregam o país em troca do poder eterno. Pelo menos os que amam em vão o país deixam a Copa dos Estados Unidos com um título inédito. Enquanto o hexa não vem, por que não lembrar aos que torceram contra que, dos 48 países que disputam o torneio, o Brasil tem o hino mais bonito do mundo?

Escolhido pelo New York Times, um dos mais prestigiados jornais do planeta, o Hino Nacional deixou para trás Deus Salve o Rei (Reino Unido), a Marselhesa (França) e a Bandeira 01 Estrelada (Portugal). Portanto, tenho mil e um motivos para me orgulhar de ser brasileiro e nenhum para me envergonhar do Brasil. Embora reconheça a genialidade, a habilidade, a simplicidade e o carisma de Lionel Messi, agora só nos resta torcer contra a Argentina de Javier Milei. O canarinho mostrou nos EUA o que todos já imaginavam. Infelizmente, o Brasil ficou vazio na noite de domingo. Não sei até quando, mas o Brasil não é mais o país do futebol, muito menos a pátria de chuteiras.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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