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Falando pelos cotovelos

Sem grife política, Javier vale o que gato enterra

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto Editoria de Artes/IA

Está escrito na Bíblia da boa convivência, nas escrituras da diplomacia e na cartilha do povo que quem diz o quer, ouve o que não quer. Como um aviso a respeito das palavras, o provérbio significa que aquele que ofende ou fala sem pensar tem de estar preparado para receber uma resposta dura de volta. Também conhecida como a lei do retorno, a absurda bufonaria e o ridículo deboche do não menos ridículo presidente da Argentina, Javier Milei, em solo brasileiro não ficou sem resposta.

“Palhaço” acabou sendo deselegante com os palhaços profissionais, aqueles que espalham boas energias por ordem passam e que costumam cultivar o riso para celebrar as diferenças. Não é o caso de Milei, que só continua dando show de palhaçaria porque recebe aplausos de pessoas que pensam e agem como ele. O circo só pega fogo quando damos confiança ao palhaço. Basta o Brasil ficar em silêncio que o espetáculo acaba. Foi o que aconteceu com a convenção do PL, palco da palhaçada de Javier Milei.

Além de lógica e diplomaticamente necessária, a reação do governo à linguagem chula e ordinária do mandatário argentino contrasta com a do povo brasileiro, eu incluído. Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, Milei é um “palhaço”. Para nós, cidadãos acima de tudo patriotas, politicamente ele é o que o gato enterra porque tem nojo de cheirar. Para os argentinos, Javier não passa de um Javier qualquer. Entre seus compatriotas, sua imagem é mais desgastada do que aquelas antigas notas de 5 ou 10 cruzeiros.

Pesquisas recentes indicam que a rejeição à gestão do palhaço chega a patamares superiores a 60%. Portanto, para que reagir se, social e economicamente, somos maiores e melhores do que ele, estamos a anos luz do país dele? Por que lamentar se o palco usado pelo detrator está à beira do abismo? Aliás, ser estúpido, egoísta, gostar de palhaçadas e adorar se exibir para grupos, famílias ou partidos falidos, eis as condições ideais para ser um Javier Milei. Como disse Oscar Wilde, “não há outro pecado além da estupidez”

Considerando a participação de Milei na convenção que lançou a natimorta candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, nada melhor do que buscar nos alfarrábios do dramaturgo brasileiro aquela famosa frase sobre os eufemisticamente néscios, insensatos e tolos: “….Eles vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”. Havia centenas deles na convenção do Partido das Lágrimas, aquele em que os pastores recebem o dízimo na boca do caixa.

Aplaudido de pé após seu histriônico e apalermado discurso, o presidente argentino não percebeu – e nem foi avisado a tempo de corrigir – que o presidente “presidiário” não é Lula da Silva, mas sim aquele outro “querido” a quem Milei foi impedido de visitar. Sobre os adjetivos “ladrão” e “lixo”, poucos foram os correligionários dos Bolsonaro que não se ofenderam. O silêncio falou mais alto. Quanto ao “lixo careca”, manda quem pode e obedece quem não tem aquilo roxo. O de Javier deve ser furta-cor.

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