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Domingo na urna

‘Sem medo de ser feliz é a alegria da prova dos 9’

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Autor/Imagem:
Marina Amaral, Diretora Executiva/Agência Pública Jornalismo Investigativo - Foto de Arquivo

Domingo é o grande dia. Vamos decidir se queremos um governo democrático, com controle social, capaz de pensar soluções para a pobreza, o meio-ambiente, a educação e a saúde ou se permanecemos imersos nesse macabro teatro do absurdo que até o último momento tenta minar nossa democracia.

A figura repugnante de Roberto Jefferson, que em menos de 48 horas foi de xingamentos obscenos a uma ministra do STF a mais de 50 tiros de fuzil disparados contra os agentes da Polícia Federal é a imagem emblemática da campanha e do governo de Jair Bolsonaro.

A mesma visão pervertida atravessa o caso das meninas venezuelanas ofendidas pelo presidente, a imitação da falta de ar do paciente de Covid, o gesto de tirar a máscara de uma criança em plena pandemia, a propaganda de remédios falsos enquanto as pessoas morriam, o prazer em enaltecer um torturador diante de uma mulher por ele seviciada, como Bolsonaro fez com Dilma Rousseff.

O sadismo e a má fé também estão presentes na distribuição do dinheiro público para ganhar votos e estimular o endividamento de pessoas que serão novamente jogadas no abandono no ano seguinte. São eles que prevalecem no incentivo para a polícia matar e para a população se armar e também na proteção do governo ao garimpo ilegal que mata Mundurukus e Yanomamis – com o requinte de perversidade da falsa acusação de canibalismo.

Sim, essas são decisões movidas por interesses políticos e econômicos. Mas não apenas. Há um gozo na trapaça e no prazer de humilhar, característicos da extrema direita, que afrontam mais do que os direitos da população: atingem nossa dignidade, nossos sentimentos de compaixão e solidariedade.

Muito já se falou para tentar explicar por que milhares de brasileiros continuam a dar seus votos para alguém que tem o ódio como estandarte. Para além da compra de votos pelo governo Bolsonaro, da manipulação religiosa por parte de lideranças evangélicas, do apoio de uma elite escravagista e atrasada, e das campanhas de desinformação nas redes sociais, chamo atenção aqui para a exploração da desesperança, transmutada em rancor raivoso, que nega o amor, a alegria, o prazer de estar juntos, sem os quais não se constrói nada em sociedade.

A luta coletiva não prescinde da alegria, fermento de todas as mudanças. É ela “a prova dos nove”, como escreveu Oswald de Andrade, no Manifesto Antropofágico de 1922 (para os jovens, explico a expressão, que é uma operação matemática para conferir contas). Mesmo nos tempos mais sombrios há espaço para comemorar o encontro como sabem os movimentos populares de todos os tempos.

Reencontrei a alegria num sábado ensolarado de campanha no centro de São Paulo, acompanhando um grupo ‘vira-voto’ pró Lula. Cada sorriso arrancado dos passantes pelos refrões bem humorados ao ritmo da bateria regida por um mestre idoso e cheio de energia era um convite pra gente se aproximar das pessoas, sem medo ou desconfiança, um sentimento que se tornou raro nos últimos anos. Uma senhora que acompanhava o movimento um pouco tímida comentou, quando ofereci o adesivo: “Nem gosto mais de política, com tanta violência, mas vocês são tão alegres, a gente lembra que eleições também são festa”, disse, colando o Lula no peito.

Nunca foi tão atual o jingle da campanha do PT, Sem Medo de Ser Feliz. Virar votos para Lula é lembrar que somos gente, que sofre, ama e ri, e não quer viver da infelicidade alheia. A tristeza sempre foi a marca da extrema direita. No mundo deles, a crueldade é a única forma possível de prazer. Mas, no país que vamos recuperar neste domingo, a alegria continua sendo a prova dos 9. Estamos juntos!

Boa votação a todos.

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