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Tragédia no canil

Senado suspende uso de cães de guarda após ataque fatal

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

A rotina de segurança no coração do poder político nacional sofreu um forte abalo ético e operacional nesta quinta-feira. O Senado Federal anunciou a suspensão imediata de seu Serviço de Cinotecnia, a divisão da Polícia Legislativa responsável pelo treinamento e atuação de cães de guarda. A decisão drástica acontece como uma resposta direta a um episódio brutal que expôs falhas de segurança internas e culminou na trágica morte de uma profissional dedicada à saúde dos próprios animais da instituição.

O estopim para a paralisação das atividades foi o falecimento da veterinária Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, vítima de um ataque feroz em julho deste ano. A profissional realizava suas obrigações diárias de manejo no canil do Senado, em Brasília, quando foi surpreendida pela reação violenta de um cão da raça pastor-belga-malinois. O animal, treinado para atuar em missões de contenção e patrulhamento policial, desferiu mordidas precisas e devastadoras que transformaram um momento de cuidado rotineiro em um cenário de horror.

O ataque brutal ocorreu no momento em que Vitória alimentava o cão, deixando marcas profundas no corpo e na estrutura operacional da casa. Isolada no ambiente de tratamento, a veterinária sofreu uma grave lesão na artéria do pescoço, fratura exposta em um dos membros e uma parada cardiorrespiratória em decorrência da gravidade dos ferimentos. Sem testemunhas imediatas, a profissional permaneceu caída e sangrando por longos minutos até ser localizada por um policial legislativo, que prestou os primeiros socorros antes da remoção emergencial.

Apesar dos esforços médicos intensos no Hospital de Base do Distrito Federal, onde Vitória passou por cirurgias de alta complexidade e permaneceu internada em estado gravíssimo por semanas, a jovem veterinária não resistiu aos traumas e faleceu no último sábado. A fatalidade jogou luz sobre as condições de monitoramento do canil e forçou a administração do Senado a emitir uma nota oficial informando que a suspensão do serviço visa “reavaliar procedimentos e diretrizes” para evitar que novas falhas operacionais ceifem vidas.

Com a interrupção das atividades de policiamento canino, os três pastores-belgas que compunham o plantel da Secretaria de Polícia serão devolvidos imediatamente. Os animais operavam sob o regime de comodato — um modelo de empréstimo gratuito no qual tutores civis cedem os cães temporariamente ao Estado. O destino dos cães agora retorna às mãos de seus donos originais, enquanto as dependências do canil do Senado permanecem vazias, aguardando uma auditoria completa nos protocolos de manejo e segurança.

No campo jurídico, o caso ganhou novos desdobramentos com a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios de transferir o inquérito para a esfera da Justiça Federal, dada a natureza do órgão público onde o crime ocorreu. Enquanto a Polícia Legislativa conduz os detalhes técnicos da investigação interna, o Ministério Público Federal deve avaliar as responsabilidades criminais e civis pela falta de vigilância mútua no momento do ataque, buscando dar respostas à família de Vitória e à sociedade.

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