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Caráter e poder

Senadores que agrediram Marina Silva são a cara da pobreza política do Brasil

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

O valor de um homem não está no quanto ele sofre no teste, mas em como ele se sai no final. Além das pequenas atitudes, o verdadeiro valor do homem é seu caráter, suas ideias e a nobreza de seus ideais. Os valorosos são aqueles de poucas palavras e que inspiram respeito e admiração. Não é o caso dos senadores Omar Aziz (PSD-AM), Marcos Rogério (PL-RO) e Plínio Valério (PSDB-AM), os quais chamo de homens por obrigação, mas com todas as vênias e ressalvas do mundo.

No Congresso e agora em todas as rodas do país, eles são reconhecidamente misóginos, desrespeitosos, despreparados e vassalos da seita bolsonarista. Preocupados exclusivamente com o sucesso pessoal, os três ajudam seus correligionários a espalhar ódio e a explicitar o machismo por onde passam. São os desqualificados e pobres de espírito, cuja alma é constituída por demagogia, hipocrisia, autoritarismo, maldade e inveja.

Portanto, sem condição de se colocarem em lugar algum, como esperar gestos nobres de parlamentares tão pobres de espírito e absolutamente carentes de caráter. Não acredito que a agressividade gratuita dos tais senadores tenha sido uma herança do berço. Caso tenha sido, é maldita. Ainda assim, se vivos, seus pais estão envergonhados dos filhos que geraram. Se mortos, certamente se viraram de bruços no túmulo para não ouvir os impropérios dirigidos pelos rebentos a uma autoridade com história de vida capaz de ensiná-los a ser gente.

Para defini-los, nada melhor do que lembrar a célebre frase do 16º. presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, para quem o caráter de um homem é proporcional ao poder que ele recebe. Definitivamente, o episódio envolvendo a ministra Maria Silva e os bárbaros senadores que contribuíram para transformar o Senado Federal em uma casa que, hoje, é a cara do Brasil, país dividido entre mulheres que só querem ocupar o lugar que merecem e os preconceituosos, ignorantes e virulentos que têm preço e não valor.

Esses morrem de medo da força, do brio, da coragem e do peso do gênero feminino como garantia do futuro brasileiro. Por isso, o acerto dos senadores para depreciar a representante do governo federal em audiência pública que eles convocaram. Pequenos nos gestos e na conduta, reagem às mulheres bem-sucedidas agredindo e preferindo vê-las distantes. Do tamanho das agressões que recebeu, a reação da ministra foi, além de educada e elegante, didática, na medida em que mostrou aos deseducados senadores o quanto eles estão descolados das questões ambientais.

Marina Silva não disse, mas certamente seus algozes sabem que suas propostas para a Amazônia são todas em defesa da vida. No sentido inverso, Omar Aziz, Marcos Rogério e Plínio Valério estão se lixando para os nativos da região. Para eles e seus seguidores, pessoas não dão lucro. Como dizem os pensadores da relação entre gêneros, os homens de valor não seguem padrões, mas sim princípios. Esses são educados, têm atitude, postura e, o que é mais importante, não fervem com pouca água.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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