Curta nossa página


Dores crônicas da alma

Sentir ‘que partiu ou morreu’ desaparece com bula do afago de amigos

Publicado

Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto Editoria de Imagens/IA

Há dias que a gente pensa que não vai resistir. Aí chega a noite conselheira e nos revela que o melhor da vida é não desistir. No dia seguinte, percebemos que cada amanhecer é feito de novidades e de oportunidades. A beleza da existência está na certeza de que a vida se encolhe ou se expande em proporção à coragem e à liberdade de cada um. Como pregam os pensadores do povo, na escola a gente recebe a lição e depois faz a prova. Na vida, fazemos a prova e só depois recebemos a lição.

Uma das primeiras lições é aquela que só aprendemos quando estamos do meio para o fim: a vida é de dentro para fora. Se mudamos por dentro, a vida muda por fora. O segundo ensinamento é a prova de que, em nosso dia a dia, o momento mais curioso é aquele em que descobrimos que os amigos passam a ser uma espécie de remédio. Eles não vêm na forma de comprimidos ou em gotas, não têm bula, não exigem receita médica, mas nos aliviam de dores crônicas da alma e normalmente amenizam as do coração.

Viver não tem mágica ou fórmulas. A vida tem autenticidade. E isso não se vende em supermercados ou lojas de conveniência. Graças à liberdade e ao livre arbítrio, a vida empurra as pessoas umas para as outras. Com o passar dos anos, particularmente na chamada melhor idade, o que dá trabalho e nos obriga a um pequeno esforço é a manutenção desse círculo vivo. Também não há receita para isso. A exigência mínima é a do investimento na solidez da amizade e na parceria da compreensão.

Seguidor consciente dos bons pensadores, faço minhas as palavras de Jean-Paul Sartre, para quem ser livre nos dias de hoje dá um baita trabalho. Afinal, conforme Sartre, pai do existencialismo, assumir a responsabilidade pelas próprias decisões significa parar de dar desculpas e encarar as consequências. Didaticamente, isso quer dizer que a liberdade também dá trabalho. O mais importante é que ela liberta. É aí que mora a mágica da vida sem pesadelos, atropelos e com muita paz.

Qual a relevância física, emocional ou espiritual em darmos o xeque-mate em todas as nossas metas? Sinceramente, nenhuma. Relevante é construirmos uma relação consciente com nossa própria história. Povo alegre, feliz e de bem com a vida é um reflexo direto da conjuntura social. Por isso, mais uma vez recorro à liberdade. Por exemplo, nada melhor do que nós mesmos escolhermos os filmes ou as canções que queremos assistir e ouvir.

Embora nos desagrade, o que eventualmente fazemos por obrigação serve para agradar os oponentes ou os invejosos. Apesar disso, estamos “condenados a ser livres”, o que significa que a liberdade é um superpoder que gera um peso bem grande nas costas. Mesmo pesada, usando da força da liberdade somos os únicos donos de nossas decisões. Portanto, como temos a liberdade a nosso favor, não há que se culpar o signo, o destino ou o universo. É nós, de nós e para nós. Simples assim!

……….

Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém uma velha Remington como troféu na estante da sala e usa o Notebook para escrever textos pontuais para Notibras

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.