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MARINA DUTRA

Síndrome do impostor: por que pessoas competentes duvidam tanto de si?

Publicado

Autor/Imagem:
Marina Dutra - Francisco Filipino

Você já teve a sensação de que, a qualquer momento, alguém vai “descobrir” que você não é tão capaz quanto pensam? Mesmo com resultados concretos, elogios, reconhecimento… por dentro, a dúvida continua. E ssa é uma das faces mais silenciosas da síndrome do impostor.

E o ponto mais importante aqui é este: não estamos falando de falta de competência. Pelo contrário. Pessoas realmente despreparadas raramente duvidam tanto. Quem duvida é, geralmente, quem se importa, quem se cobra, quem quer fazer bem feito.

Então, por que pessoas competentes duvidam tanto de si?

Porque aprenderam a medir o próprio valor pelo erro.

Porque cresceram associando desempenho a merecimento.

Porque confundem excelência com perfeição.

Existe um padrão comum: quanto mais você conquista, mais o padrão interno sobe. O que antes seria motivo de celebração vira “o mínimo esperado”. A mente não registra a vitória, ela registra a próxima meta.

E assim nasce o ciclo: você entrega, performa, conquista… mas nunca sente que é suficiente.

A autocrítica passa a funcionar como um fiscal interno 24 horas por dia. Não importa o que você faça, sempre poderia ter sido melhor. Sempre faltou algo. Sempre há alguém mais preparado, mais seguro, mais brilhante.

Só que essa comparação constante é distorcida. Você compara seus bastidores com o palco dos outros. Compara suas inseguranças internas com a confiança externa que as pessoas exibem. E perde.

A síndrome do impostor também está ligada ao medo de exposição. Quanto mais você cresce, mais visível fica. E visibilidade ativa uma crença profunda: “Se eu for visto de verdade, vão perceber minhas falhas.”

Mas falhas não anulam competência. Elas humanizam.

Outro ponto importante: muitas pessoas que desenvolveram esse padrão foram muito elogiadas pelo desempenho e pouco reconhecidas pela essência. O amor vinha quando havia resultado. O valor vinha quando havia entrega. O cérebro aprende rápido essa lógica: “Eu só sou suficiente quando produzo.”

E aí qualquer oscilação vira ameaça.

Não é falta de capacidade.

É excesso de autocrítica.

É um padrão mental que ignora evidências positivas e amplia qualquer erro. É uma lente que distorce a realidade, não a realidade em si.
Superar a síndrome do impostor não significa eliminar a dúvida, ela faz parte do crescimento. Significa aprender a questionar a voz interna que desqualifica tudo o que você construiu.

Pergunte-se com honestidade: Se outra pessoa tivesse exatamente o meu currículo, eu diria que ela é uma fraude? Ou só comigo eu sou implacável assim?

Reconhecer a própria competência não é arrogância. É maturidade emocional. Você não chegou até aqui por sorte contínua. Não foi acaso repetido. Não foi engano coletivo.

Talvez seja hora de atualizar a narrativa interna. Não para se convencer de que é perfeito. Mas para aceitar que é capaz, mesmo sentindo medo. E isso já é muito.

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Acompanhe no perfil @sersuperconsciente às lives “Terapias que reconectam”, todas às terças e quintas-feiras, às 19h.

Marina Dutra – Terapeuta
E-mail: sersuperconsciente@gmail.com

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