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Memória

Sou péssima com nomes… e quase viajei para a cidade errada

Publicado

Autor/Imagem:
Ana Paula Rocha - Texto e Foto

Sou péssima com nomes, seja de pessoas ou de lugares.

E foi justamente por conta disso que quase caí numa grande furada.

Fui convidada para um evento, pois estava bem engajada com as lutas do grupo.

Aceitei o convite, organizei minha agenda e comprei as passagens, com ponto de partida na Rodoviária Novo Rio. Na terça-feira, liguei para a Ju e disse:

— Menina, tudo certo! Comprei as passagens! Cataguases que me aguarde! Do outro lado da linha, Ju respondeu:

— Legal, Ana! Mas onde fica Cataguases? O que você vai fazer lá? Na mesma hora, senti um frio no peito.

— Ué… Como assim? Você não me convidou? Estou indo para a sua casa! Ela respondeu:

— Mas eu moro em Caratinga! Confusão formada.

Liguei para a empresa de ônibus e pedi o cancelamento ou a troca das passagens.

A atendente informou que poderia fazer o estorno, mas o dinheiro só seria devolvido depois de uma semana. Resolvi, então, comprar apenas a passagem de ida. A de volta eu compraria lá mesmo.

Assim foi feito.

Sexta-feira à noite. Ônibus das 23 horas.

Cheguei à rodoviária às 20 horas, peguei meu lanche e fiquei aguardando com meu mochilão e um cobertor para a viagem.

Sentei em um banco da plataforma enquanto esperava o ônibus chegar.

Havia um ônibus parado com a placa “Vitória da Conquista”. Pensei imediatamente que não era aquele. O motorista não parava de olhar para mim.

Todos os passageiros da plataforma embarcaram.

O motorista continuava me observando e começou a anunciar as cidades por onde o ônibus passaria. Até que, já meio impaciente, perguntou:

— Senhora, a senhora vai para onde? Toda inocente, respondi:

— Caratinga! Ele retrucou:

— Então está esperando o quê? É este ônibus aqui!

Corri, entrei no ônibus, sentei na poltrona e senti aquele frio danado do ar-condicionado. Peguei o cobertor e prometi a mim mesma que não dormiria.

Resisti… mas não consegui.

Estrada, curvas, retas… e horas se passaram sem que eu chegasse ao destino. Até que começaram as tradicionais paradas de cinco minutos.

O motorista anunciava:

— Chegamos em tal cidade! Cinco minutos!

Eu, completamente cansada, acabava adormecendo entre uma parada e outra. Até que escutei, bem baixinho, lá da frente:

— Caratinga… cinco minutos.

Despertei num susto, acordei o rapaz ao meu lado e perguntei:

— Chegamos?

Ainda sonolento, ele respondeu:

— Não sei…

Levantei correndo e fui até o motorista. Ele sorriu e disse:

— Nossa… acordou!

Pedi que esperasse um instante, peguei minhas coisas e desci. Ainda eram cinco horas da manhã.

Esperei um pouco e, às seis horas, mandei uma mensagem para a Ju. Ela reenviou o endereço, peguei um táxi e fui para lá.

Fui recepcionada com um delicioso café da manhã, descansei um pouco e logo saímos para o evento. Passei o dia inteiro no evento.

À tarde, durante uma pausa, aproveitei para ir até a rodoviária e comprar minha passagem de volta para as duas horas da madrugada.

Depois do evento, o grupo inteiro foi para um bar. Comemos, comemoramos e demos muitas risadas.

Mais tarde, voltei para a casa da Ju, peguei minhas coisas e segui para a rodoviária. Dessa vez, tudo deu certo.

Era hora de voltar para casa.

Afinal, a segunda-feira já estava logo ali.

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