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Corrida ao Buriti

Sucessão ainda está longe do xeque-mate

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Autor/Imagem:
Pimenta Filho - Foto de Arquivo

Quem acredita que a sucessão ao Palácio do Buriti já está decidida pode estar olhando apenas para a fotografia de um momento, e não para o filme completo da campanha. Em política, especialmente quando o calendário eleitoral se aproxima da reta final para o registro das chapas, as peças costumam ganhar vida própria.

Até aqui, o eleitor acompanha discursos, convenções, anúncios e demonstrações de força. Mas é justamente nos bastidores que normalmente se escrevem os capítulos mais surpreendentes de uma eleição. Conversas discretas, encontros reservados e interesses convergentes frequentemente produzem movimentos capazes de alterar o equilíbrio do jogo em questão de horas.

A história política de Brasília oferece inúmeros exemplos de reviravoltas construídas quase no apagar das luzes. Adversários tornaram-se aliados. Aliados descobriram caminhos distintos. Candidaturas consideradas irreversíveis acabaram redesenhadas pela matemática eleitoral, pela necessidade de sobrevivência política ou pela simples percepção de que, isoladamente, seria impossível alcançar o objetivo maior.

Neste momento, nenhum agrupamento político pode se dar ao luxo de desprezar a possibilidade de composições inesperadas. Há projetos consolidados, há candidaturas competitivas e há nomes que buscam espaço. Entre esses três grupos existe uma extensa zona cinzenta, onde prevalece menos a ideologia e mais a aritmética dos votos.

O eleitor costuma enxergar apenas o palco iluminado. Nos bastidores, porém, dirigentes partidários fazem contas diariamente. Avaliam tempo de televisão, potencial de transferência de votos, distribuição regional, composição para o Legislativo e, sobretudo, o risco de uma pulverização excessiva que beneficie terceiros.

É justamente por isso que as próximas semanas podem ser decisivas. O cenário aparentemente consolidado pode revelar uma flexibilidade que hoje ainda passa despercebida. Uma única composição, se reunir segmentos relevantes do eleitorado, pode provocar um efeito em cadeia: obrigar outras forças a rever estratégias, antecipar alianças ou reorganizar prioridades.

Naturalmente, isso não significa que mudanças ocorrerão. Significa apenas que elas continuam sendo politicamente possíveis. Em eleições majoritárias, a lógica costuma premiar quem consegue ampliar pontes e reduzir resistências, mesmo que isso exija concessões difíceis.

Outro fator que costuma ganhar peso na reta final é o voto útil. À medida que pesquisas passam a desenhar cenários mais consistentes, partidos e lideranças reavaliam custos e benefícios de permanecer isolados. Em muitos casos, preservar espaço político amanhã torna-se mais importante do que insistir numa candidatura hoje.

Por isso, talvez o maior erro seja imaginar que todas as cartas já estejam sobre a mesa. Na política brasiliense, como em um bom jogo de xadrez, muitas vezes o movimento decisivo é justamente aquele que ninguém esperava.

Até que expirem os prazos eleitorais, o tabuleiro continuará aberto. E, enquanto houver peças em movimento, nenhuma fotografia será definitiva. Afinal, em Brasília, a política raramente termina onde parece terminar. Quase sempre ela recomeça nos bastidores.

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