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Panorama Político, por João Zisman

Sucessão já tem Celina; falta o resto do cenário

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João Zisman - Foto de Arquivo

A movimentação eleitoral entra em uma etapa mais objetiva. Entre 20 de julho e 5 de agosto, as convenções partidárias deverão confirmar candidaturas, alianças e nominatas. Até lá, declarações individuais, sondagens e conversas reservadas não possuem o mesmo valor de uma decisão tomada formalmente pelos partidos.

Celina Leão permanece como o nome governista para a disputa do Palácio do Buriti. O trabalho político da base concentra-se menos na candidatura ao governo, já assentada, e mais na montagem da chapa majoritária, especialmente depois da desistência de Ibaneis Rocha de concorrer ao Senado.

A retirada do ex-governador da disputa desfez uma composição que parecia encaminhada e reabriu a negociação das duas vagas senatoriais. Essa mudança afeta diretamente o equilíbrio entre MDB, PL, Republicanos e demais partidos aliados, porque cada legenda procura preservar espaço, identidade e participação efetiva na campanha.

O PL continua apoiando Celina Leão e, até o momento, não trata o lançamento de candidatura própria ao governo como alternativa partidária formal. Izalci Lucas, portanto, não deve ser apresentado como pré-candidato oficial do partido ao GDF. Eventuais movimentos pessoais ou especulações de bastidores não alteram a posição institucional declarada pela legenda.

O desafio da base está em construir uma chapa capaz de acomodar partidos relevantes sem transformar a campanha em uma reunião de interesses concorrentes. A definição das candidaturas ao Senado será determinante para medir o nível de unidade, o compromisso das lideranças e a disposição das estruturas partidárias para trabalhar de maneira integrada.

Na oposição, José Roberto Arruda procura consolidar sua candidatura e ocupar um espaço próprio no confronto com o governo. No campo da esquerda, a articulação em torno de Leandro Grass depende da organização das legendas, da definição das vagas majoritárias e da capacidade de compatibilizar projetos partidários distintos.

O cenário, portanto, apresenta uma candidatura governista definida, oposições em processo de organização e um conjunto de negociações ainda inconclusas. As convenções deverão reduzir o espaço das versões e ampliar o peso dos fatos.

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