O Isolamento de Toffoli
Suspeita de autoria de gravação abala relações no STF
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Nos corredores de Brasília, o clima é de desconfiança. Ministros do Supremo Tribunal Federal passaram a suspeitar que Dias Toffoli teria gravado a reunião em que se decidiu pela divulgação de uma nota pública de apoio ao próprio ministro.
A suspeita ganhou força depois que a imprensa publicou falas literais do encontro, trechos reproduzidos com precisão incomum para uma reunião interna, reservada e sensível. O nível de detalhamento das falas chamou atenção dentro da Corte. E, no STF, onde cada palavra é medida com régua institucional, vazamentos assim não são vistos como triviais.
O episódio aprofunda um ambiente que já vinha tensionado. Se antes havia constrangimento, agora a suspeita de gravação interna, ainda que não comprovada, é suficiente para abalar relações.
O gesto de emitir uma nota de apoio foi interpretado, à época, como tentativa de preservar a imagem institucional. Mas a sucessão de episódios e controvérsias envolvendo o ministro tem produzido desgaste acumulado. E no Supremo, como na política, apoios institucionais costumam ser pragmáticos: duram enquanto o custo de mantê-los não supera o benefício.
A tendência é que, aos poucos, de maneira silenciosa e estratégica, cada ministro começará a soltar a mão de Toffoli. Não haverá rompimentos públicos estrondosos. Haverá distanciamento gradual. No STF, isolamento raramente é declarado, ele é construído.