Papudinha
Tarcísio já tinha o não e veio atrás da humilhação
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Nesta quinta-feira, 29, Tarcísio de Freitas esteve em Brasília e foi até a Papudinha para visitar Jair Bolsonaro. Não foi uma visita protocolar, nem movida por solidariedade pessoal. Foi, sobretudo, política. Tarcísio veio ouvir, diretamente da fonte, aquilo que todos já sabem: ele não foi o escolhido para disputar a Presidência da República.
A mensagem foi clara. O projeto continua sendo familiar. Tarcísio, apesar de ter capital político próprio, governar o maior estado do país e ser visto por parte da direita como um nome viável para além do bolsonarismo, não recebeu o aval. Sua missão agora é outra: apoiar Flávio Bolsonaro.
O gesto expõe uma realidade incômoda para quem ainda acreditava na autonomia de Tarcísio. Sua trajetória, construída para passar a imagem de gestor técnico e pragmático, esbarra nos limites impostos pela lógica do clã. No bolsonarismo, lealdade vale mais do que desempenho eleitoral, e confiança só existe dentro do sobrenome.
Ao ir à Papudinha, Tarcísio selou esse roteiro: não será protagonista, será coadjuvante. Sai de Brasília não como candidato, mas como cabo eleitoral. A escolha não foi dele, foi comunicada a ele.
Resta saber até quando Tarcísio aceitará esse papel. Por ora, engole seco e segue o script. Mas a política é dinâmica, e a história mostra que quem abre mão do próprio projeto para sustentar o projeto dos outros costuma pagar um preço alto. O tempo dirá se essa visita marcou apenas um capítulo constrangedor ou o início de um afastamento inevitável.