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Náufrago em Barra de São Miguel

‘Todo dia ele faz tudo sempre igual.. acorda às 4 da matina’

Publicado

Autor/Imagem:
Eduardo Martínez - Foto Acervo Pessoal

O personagem de hoje é um notório e notável jornalista, que, além das matérias de alto nível produzidas para Notibras, recentemente resolveu se hospedar compulsoriamente na residência do mais charmoso casal de Barra de São Miguel, litoral de Alagoas, os digníssimos Betânia e Marcos. Pois bem, o nome do gajo é José Seabra, que tem se enveredado ultimamente pelas crônicas, mas é contumaz apreciador da brasileiríssima cachaça, ainda mais se acompanhada de um caldo de camarão e aquele peixe frito.

Seabra, que também atende pela pomposa alcunha de Chefe, para não se passar por aproveitador da hospitalidade que lhe foi ofertada, diz que está fazendo um bico de caseiro para pagar pela suíte e pelo comes e bebes. Que nada! O bon vivant, segundo já se fala à boca pequena, ainda não varreu um só grão da areia, que cisma em convidá-lo para mais uma caminhada até a birosca mais próxima. É justamente lá que pensa no que escrever ou, então, algo o leva a ter longas prosas com outro desocupado ou, na falta de algum, puxa conversa com um velho conhecido, nascido e criado ali mesmo na praia: um pé de coco.

O povo daqui da redação do Notibras, a princípio, imaginou que essa viagem do Seabra fosse apenas mais uma de suas loucuras, mas que não duraria além de alguns dias, quiçá duas ou três semanas. Ledo engano, no que me incluo entre os inocentes, puros e bestas, que, apesar de já ter tido o prazer de morar em Ipanema, estou aqui cumprindo a minha sina de mais uma temporada em Brasília.

Que seja assim ou assim seja, não importa, como bem diz o meu colega de labuta, o Wenceslau Araújo. Este, aliás, me grita assim que o meu celular toca. Vejo que é o Daniel Marchi, também conhecido como Bruxo do Méier. Atendo e ele me diz que vai me mandar mais um conto incrível para ser publicado na próxima segunda-feira. Fico animado com a notícia, mas o Wenceslau me grita novamente. Ele está com uma passagem na mão esquerda.

– Edu, tô indo pro Rio! Ah, não se esqueça!

– Do quê, Wenceslau?

– Hoje é o aniversário do Chefe!

E Mathuzalém, lá no fundo da redação, cofia o bigode e diz, em surdina: “Logo será meu contemporâneo”.

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