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Brasil

Trabalhador negro perde 1 trihão em salários

Bartô Granja, Edição

Um estudo realizado pelo Instituto Locomotiva indicaque se os profissionais negros (pardos e pretos) fossem remunerados como seus pares de outras raças no Brasil, quase R$ 1 trilhão de renda seria adicionado ao mercado de trabalho nacional. A pesquisa foi feita a pedido do Carrefour e divulgada pela CNN.

Isso ocorre porque, segundo dados do IBGE utilizados no levantamento, a renda média dos trabalhadores negros —que são mais da metade da população (56%)— é de R$ 1.865, enquanto o restante da força de trabalho nacional recebe R$ 3.509. O que explica este hiato tão grande?

Para Liliane Rocha, CEO e fundadora da consultoria de diversidade Gestão Káiros, a diferença entre os salários e os cargos de negros e brancos dentro das empresas se dá por fatores históricos, bem como por preconceitos que a sociedade, mesmo no século 21, ainda cultiva.

“Temos uma história muito recente de escravidão, e a Lei Áurea, que falava sobre a liberdade do povo preto, não considerava onde essas pessoas iriam trabalhar”, diz.

Problema estrutural
Existe, é claro, também uma questão estrutural. Apenas 11% da população negra concluiu o ensino superior, quase o mesmo contingente que não frequentou a escola –são 8%, contra 4% dos não negros.

Dos que foram à escola, 91% estudaram em colégio público e 89% nunca fizeram cursos de idiomas, enquanto 74% nunca receberam nenhuma certificação profissional. Num mundo em que os currículos ditam o sucesso, essa parcela da população já começa a corrida em situação de desvantagem.

“Muitos dos parâmetros que costumam ser utilizados para contratar e promover dentro de empresas têm a ver com a renda do trabalhador, como mostra a nossa pesquisa. A escola em que estudou, habilidade com idiomas”, diz Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

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