Mascarados em crise
Trator nordestino impede a trupe enlatada de descer do trio elétrico
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Repetida à exaustão em tom de brincadeira e, às vezes, de cumplicidade, a expressão “o ano só começa depois do carnaval” reflete uma tradição cultural e psicológica brasileira, segundo a qual o período pós-festa, geralmente em fevereiro ou março, marca o início real das atividades escolares, burocráticas e produtivas. É a síndrome do pós-carnaval, época em que a procrastinação profissional reprimida alcança todos os setores da vida do país. Embora não seja nada produtiva, a política também pode ser incluída nesse reinício de rotina.
Enfim, entre vencidos e vencedores, entre homenageados e criticados, 2026 finalmente deu o ar da graça. Sem qualquer simbolismo, boa parte da população começará o ano com o pé esquerdo. Os que colocarão o pé direito à frente também merecem respeito. Desapreço e desprezo, em alguns casos, só àqueles que continuam mascarados e fantasiados de bons moços na comissão de frente da política nacional. O mesmo sentimento pode ser estendido aos que ficam de boca calada diante das injustiças praticadas pela vigarice da maioria dos políticos brasileiros.
O ano começou para todos os homens públicos comprometidos com a ética, com a moral, com o dever e com a justiça social. No entanto, ainda está por começar para os que, como cachorros que caíram de caminhões de mudança, permanecem correndo atrás do próprio rabo, provavelmente em busca de uma razão capaz de justificar uma nova futura derrota ou, o que é mais grave, tentando, mais uma vez, desqualificar uma candidatura incômoda porque é vitoriosa, corajosa, proativa e sem medo de mascarados. Resumindo, o ano não começou para aqueles que, com medo do trator nordestino, têm medo de descer do trio elétrico da direita enlatada e sem direção.
O desentendimento em relação à arte e à cultura popular e o mimimi de quem só vive para receber elogios decidiram o rebaixamento de uma escola de samba fluminense. Coisa do passado. No presente, lamúrias, chororôs e lengalengas não decidem eleição. De forma mais didática, vitórias e derrotas não são para covardes. Conforme a Bíblia, os rebaixados um dia serão exaltados. O mesmo nunca ocorrerá com os que se escondem nas redes sociais, de onde se exibem com desinformações descabidas, maquiavélicas e desembestadas.
Desde 2018, quem mais se beneficiou – e se beneficia – com as desinformações herdadas do pai é o candidato Flávio Bolsonaro, o filho 01 e herdeiro de tudo que é ruim na política do negativismo e das fake news. Pois é justamente ele que, na ausência de assunto melhor para discutir com “seu eleitorado”, vem anunciado a Deus e ao mundo que vai judicializar o carnaval da Acadêmicos de Niterói, mais precisamente a homenagem da escola de samba a Luiz Inácio Lula da Silva. Medo do que? Por que querem melar um carnaval que desagradou meia dúzia, mas agradou duas dúzias e meia?
Faz parte do jogo, mas, assim como o mundo profano e o sagrado, Flávio e sua trupe sabem por antecipação que não há hipótese de a Justiça Eleitoral decidir em favor do bolsonarismo. Ou seja, a candidatura de Lula não será impugnada e o rio continuará seguindo normalmente seu curso rumo ao mar. Quanto a Flávio Bolsonaro, hoje candidato de uma nota só, restará o descanso eterno de um ex-senador. Concordo com aqueles que criticaram a alegoria com parte do clã Bolsonaro enlatado. Era somente um simbolismo, um devaneio carnavalesco. Perdido e sem o mesmo ritmo da evolução adversária, 01 em breve será obrigado a tirar a fantasia. Quando isso ocorrer, o rei estará nu, sem mandato e certamente sem lacaios.