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A derrocada

Trump fica com pregas na mão sem saber como sair do atoleiro no Irã

Publicado

Autor/Imagem:
Antonio Eustáquio Ribeiro - Foto de Arquivo

Há menos de um ano, pouquíssimos meses após o início de seu segundo mandato, escrevi aqui que a verborragia violenta e desmedida de Trump eram sinais claros de um animal agonizante que tenta atacar frente a uma derrota prevista. Pois, o tempo passou, pouco, e algumas sandices depois, eis que Trump exibe publicamente sua fragilidade diante de um Iran que não quer se render após a ação agressiva dos EUA, em associação com o genocida Netanyahu.

A espetaculosa ação de Trump na Venezuela pode ter sido o elemento catalisador da empáfia e soberba do dirigente estadunidense. Naquela ocasião, em poucas horas o exército de Trump conseguiu neutralizar a defesa de Nicolás Maduro e sequestrá-lo, de uma maneira tão fácil que fica difícil não acreditar que não tenha havido colaboração de setores importantes da Venezuela na ação. Esta “facilidade” foi determinante para elevar o caráter presunçoso de um sujeito que se acredita superior e sem nada capaz de detê-lo.

Porém, o Irã não é a Venezuela, é uma nação que tem milênios de história de lutas e resistência. Embora a Venezuela tenha gigantescas reservas de petróleo como o país do Golfo Pérsico, este, sob o ponto de vista logístico tem um trunfo gigantesco, a capacidade de incomodar de forma muito intensa a economia mundial ainda extremamente dependente de combustíveis fósseis como petróleo e gás. E este gargalo mundial com o qual a autossuficiência imbecil de Trump não contava atende pelo nome de Estreito de Hormuz, que embora seja uma pequeníssima passagem no Golfo Pérsico, por ali trafega algo em torno de 20% do petróleo e gás para consumo mundial.

Hormuz está fechado, ou pode não estar, mas o fato de o Irã ter capacidade de infligir graves problemas a embarcações dos países agressores que por ali passarem, acende um temor que faz o que todos estão assistindo, a elevação do preço do barril de petróleo em mais de 40% desde o início das agressões, o que desencadeia reações que afetam a economia de todo o planeta, com rebatimentos diretos em quase tudo na vida das pessoas. Fatalmente isto afetará o custo de vida das famílias, assim como já está contribuindo para piorar o humor do consumidor eleitor dos EUA que está as voltas com a subida de preços, derivados das consequências da agressão irresponsável de Trump e seu sócio genocida Netanyahu.

Trump provavelmente acreditou que em algumas horas dobraria as resistências do Irã, e assim como fez com a Venezuela, deixaria ali um governo que o obedecesse e criasse dificuldades para o que ele realmente deseja, criar problemas econômicos para a China ao se apoderar dos desígnios de dois dos maiores fornecedores de petróleo para aquele país.

Mas as coisas não aconteceram como os estrategistas soberbos de Trump imaginaram, e o que era para ser uma guerra de pouquíssimos dias agora se transformou numa enorme dor de cabeça para os EUA, que não sabem como parar com esta estupidez sem saírem humilhados. E o Irã ainda tem o requinte de afirmar que o estratégico Estreito de Ormuz não está fechado, continua aberto, porém impedido para os inimigos agressores, ou seja, EUA e Israel.

Assim, sem uma capacidade de quebrar o regime iraniano, sem acorrer a uma invasão por terra que significará um desastre tão grande ou maior do que foram as aventuras assassinas no Iraque e no Afeganistão, o que certamente produzirá inúmeros cadáveres de soldados norte-americanos, Trump faz apelos ridículos associados a ameaças canhestras a inúmeros países, especialmente aos países da OTAN, para que enviem navios de guerra para o Estreito, com o fito de garantir uma suposta segurança que o Iran afirma existir para quem não o agredir. Ainda bem que, diferentemente do que se viu em outras situações, a Europa, até agora tem se negado enfaticamente a se associar a esta insanidade.

E, para pasmo geral, Trump chegou a fazer um constrangedor apelo à China para que entrasse no conflito que ele começou, justamente buscando meios de prejudicar o dragão do oriente. Óbvio que a China, do alto de seu inteligente comportamento global de se relacionar com qualquer país de forma civilizada na base do ganha-ganha se recusou, deixando Trump com a “brocha na mão”.

Enquanto isso, sem saber como sair de forma menos traumática para si do gigantesco problema que ele próprio criou, Trump continua a assassinar civis inocentes, inclusive crianças, com suas supostas bombas inteligentes. E criando as condições para Netanyahu continuar seu extermínio genocida contra os palestinos e agora contra os libaneses.

A história cobrará o preço a estes marginais.

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Antonio Eustáquio é correspondente de Notibras na Europa

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