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Combate às drogas?

Trump tira Maduro de Caracas, mas deixa traficantes em liberdade

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Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto de Arquivo

Parafraseando o psicoterapeuta suíço Carl Jung, toda forma de droga é ruim, não importa que seja maconha, cocaína, crack, álcool, fanatismo, idealismo ou exacerbação ideológica. Como poetizou John Lennon, qualquer uma nos dá asas para voar, mas depois nos tira o céu. Enfim, entorpecentes fazem mal e são um flagelo para famílias, estados, governos e governantes. O mundo está tomado por elas, o que significa que, independentemente da força da nação ou do mandatário que decida assumir sua condução, a política mundial de guerra às drogas não está funcionando.

Além de engodo universal, a luta para tentar conter o narcotráfico não passa de uma grande peça teatral de gênero épico. Na verdade, a guerra contra as drogas cria a guerra pelas drogas. Fossem as drogas realmente uma preocupação de Donald Trump, as forças de segurança dos Estados teriam destruído os conglomerados clandestinos de cultivo, colheita, maceração, extração, purificação e transformação da pasta base em pó, adulteração e distribuição da cocaína. Como a minoria deles está na Venezuela, ficou claro que o alvo não era acabar com o narcotráfico. Sabidamente, os maiores produtores de cocaína são Bolívia, Peru e Colômbia.

Portanto, restam poucas dúvidas de que, para os EUA, o petróleo de Maduro é muito mais relevante e positivo do que a nocividade das drogas que eventualmente partem da Venezuela para abastecer o mercado norte-americano. Ou seja, o que são milhares de vidas perdidas para a droga diante do poder econômico do petróleo? Em primeiro lugar está a garantia de novas riquezas para os EUA. Por isso, é inadmissível a justificativa do imperialista Donald Trump para desrespeitar a soberania de um país e, para não perder a viagem, sequestrar seu presidente, ainda que esse seja reconhecidamente um déspota.

Às favas com a democracia venezuelana. Classificar Maduro de terrorista e de enriquecimento à custa do povo pode ser justo, desde que desvinculado de qualquer argumentação vinculada aos cartéis de drogas. Ao prender Maduro, Trump combateu o efeito. A causa (os traficantes) permaneceu livre e, agora, longe do comando do ditador. Mostrar ao mundo uma força que vai de encontro às regras internacionais e aos anseios dos próprios governados é, no mínimo, se esgueirar no fio de uma afiada navalha.

A menos que tente golpear a secular Constituição norte-americana, Donald Trump tem mais três anos de mandato e não pode mais se reeleger. Na verdade, poucos o querem de volta. Nos bastidores, ele “trabalha” por alternativas para um terceiro período. Como o Congresso dos EUA é um pouco mais sério do que o do Brasil, não há hipótese de isso ocorrer. Considerando seu natural impedimento futuro, a derrubada do regime de Maduro foi apenas uma aposta de futuro do líder republicano. Por conta das reações do Conselho de Segurança da ONU e dos Congresso, por enquanto ele terá de se contentar com o ditador venezuelano.

Antes de pensar em desrespeitar a soberania de outras nações, Trump terá um importante teste em novembro de 2026. São as eleições de meio de mandato para renovação do Legislativo estadunidense. Para continuar com sua sanha imperialista, o presidente mais odiado do mundo precisará fazer maioria na Câmara e no Senado. Serão renovadas todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. Mantidas as atuais cadeiras, os democratas necessitarão somente de mais três assentos para assumir o controle da atual Casa dos republicanos, bloquear a louca agenda de Trump e facilitar investigações contra o presidente e seus aliados. Estamos na torcida.

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Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém uma velha Remington como troféu na estante da sala, e passou a usar um Notebook zerado, escrevendo artigos para Notibras

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