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O racha

Turquia veta entradas de Suécia e Finlândia e abre crise na Otan

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Bartô Granja, Edição - Foto Divulgação

A Otan (organização de defesa militar que reúne os principais da Europa, além de Estados Unidos e Canadá) está à beira de sua maior crise. Motivo: o ingresso da Finlândia e da Suécia no grupo, em meio à guerra da Rússia contra a Ucrânia. Nesta segunda, 16, a Turquia bateu na mesa e vetou a entrada dos dois supostos novos membros. Os estatutos da organização determinam que um veto impede a chegada de qualquer outro Estado.

A Turquia não pode dizer “sim” à adesão da Finlândia e da Suécia, afirmou categoricamente o presidente turco Recep Tayyip Erdogan. “Não, não, não. O sim levará a Otan à condição de abrigo de terroristas, e não mais uma organização de segurança europeia”, enfatizou.

Segundo o presidente turco, Ancara não pode acreditar nas garantias da dupla nórdica de que não apoiará “terroristas”. A Turquia classifica como “terroristas” curdos residentes na Suécia e na Finlândia que são suspeitos de serem ligados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão, proibido por Ancara e pelo movimento Gülen. Os governos sueco e finlandês impõem sanções aos turcos há várias décadas.

Erdogan admitiu conversar com delegações da Finlândia e da Suécia, mas avisou que não conseguirão mudar o ponto de vista de Ancara. Ele reiterou que a Turquia não queria repetir o mesmo “erro” quando concordou em readmitir sua rival regional Grécia na ala militar da Otan em 1980.

Tanto Estocolmo quanto Helsinque anunciaram oficialmente sua intenção de se candidatar à adesão à Otan após o lançamento da operação militar especial da Rússia na Ucrânia. No entanto, a Turquia alertou que poderia bloquear a expansão da aliança de 30 membros, acusando os dois países de apoiarem militantes curdos que Ancara considera terroristas.

De acordo com Ancara, a Suécia e a Finlândia até agora rejeitaram os pedidos da Turquia para extraditar um total de 33 suspeitos supostamente ligados ao PKK e ao movimento Gülen, que, acredita o governo de Erdogan, estava por trás da tentativa fracassada de golpe em 2016. Helsinque propôs trabalhar com Ancara para uma solução, já que o governo turco exige “garantias de segurança” dos estados nórdicos e o levantamento de suas restrições de exportação de defesa no país.

Vários países europeus, incluindo Suécia e Finlândia, congelaram as exportações de armas para a Turquia após sua operação militar no norte da Síria no outono de 2019.

“Nossa postura é perfeitamente aberta e clara. Isso não é uma ameaça, não é uma negociação em que estamos tentando alavancar nossos interesses. Isso também não é populismo. Isso é claramente sobre o apoio de dois possíveis Estados membros ao terrorismo e nossas observações sólidas sobre isso, é isso que compartilhamos”, disse o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, endossando as palavras o presidente.

Quando a Suécia e a Finlândia anunciaram suas candidaturas à Otan, Moscou expressou suas preocupações sobre uma possível expansão da aliança, enfatizando que isso desencadearia uma resposta adequada. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, alertou que “a última expansão da Otan não tornará nosso continente mais estável e seguro”, o que forçaria a Rússia a adotar medidas “para equilibrar as forças”.

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