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Caminho

Um dia de chuva

Publicado

Autor/Imagem:
Mércia Souza - Foto Francisco Filipino

Três dias de chuva, friozinho e eu começando a me incomodar, sou daquelas pessoas que amam chuva, desd eque não dure mais de dois dias inteiros.

Opto por um filme, uma otima soluçaõ para um dia de chuva.

Escolho, faço a pipoca e me sento, o telefone toca.

— Vamos para a praia? Diz minha amiga do outro lado da linha.

— É louca. Penso, mas o que tenho a perder, ficar em casa?

— Vamos!

A confusão começa, ela retorna a ligação dizendo que não dava para sair taõ cedo quanto ela planejava, tinha convidado mais duas amigas uma delas só poderia ir mais tarde.

— Bom, não temos muito para fazer a não ser tomar uma cerveja e comer algo, não precisamos de pressa. Concluo.

Termino o filme, a tarde cai e seguimos em direção a Lagoa da Boa Vista em Marataízes.

Cinco mulheres em um carro, não sei bem a razão, uma delas precisava passar nocentro de Presidente Kenedy, uma paradinha e fomos parar em um barzinho com música ao vivo, afinal o que temos a perder?

O que seria meia hora se transformou em quatro, saimos do barzinho após a meia noite.

A motorista consciente não havia bebido, olha para a pista e pergunta

— Qual é o caminho?

— É esse, foi por aqui que nós viemos. Diz Rayane.

— Não, o caminho é por lá. Digo segura.

— Acho que deveríamos perguntar. Conclui Claúdia.

Luciana para em frente a um senhorzinho e pergunta:

— Moço, qual o caminho para chegar na Boa Vista?

— É aquele ali, só seguir.

O senhor aponta um caminho completamente diferente.

Às três da manhã estavamos nós perdidas no escuro e sem rede de celular.

Óbvio que nesse momento iniciamos as discussões.

“Eu disse que era aquele caminho.”

“Você disse que conhecia bem a região.”

A discussão foi esquentando, quase uma briga.

Luciana se zanga, manda todo mundo calar a boca, para o carro na entrada de uma casa e diz:

— Eu me lembro dos dias de chuva na minha infância, eu e meus irmãos íamos para o quintal tomar banho de piscininha, as poças de lama que se formavam, o que acontece quando ficamos adultos, perdemos certos prazeres.

— E nos temporais de granizo? Ficavamos escondidos atrás da porta pegando as pedrinhas e chupando.diz Rayane.

— Eu e meus irmãos andavamos o dia todo na chuva, no mato, além de ser muito gostoso o banho de chuva acho que eu nunca gostei de ficar em casa.

Claudia percebe que seu celular tem rede e liga para o marido.

— Aconteceu alguma coisa? São três e pouco da manhã.

— Então, estamos perdidas, pegamos a rua ao lado do barzinho que te falei, mas não sabemos onde estamos.

— Está bem, vou te procurar.

A conversa da chuva nos deixou saudosas e animadas, Rayane conclui.

— Já que Gustavo vem nos salvar, que tal um banho de chuva?

Luciana encosta o carro atrás de uma grande árvore, descemos todas, pegamos uma garrafa de vinho e fomos dançar na chuva, ri, relembrar da infância, em pouco tempo o que era estressante deu um lugar a um miomento especial.

Um carro surgiu ao longe, Luciana apagou os faróis, nos escondemos atrás da árvore e esperamos o carro passar.

De volta a nossa dança, rimos, cantamos, deitamo-nos na grama molhada e o marido de Claúdia não aparecia.

— Nós estamos muito perdidas. Concluimos.

Gustavo liga.

— Estou em Kenedy e não encontrei vocês, tem certeza da rua?

— Sim tenho.

O dia da os primeiros sinais de claridade, molhadas e rindo continuamos na beira da estrada.

Rayane olha a cerca e diz:

— Claúdia, essa não é a cerca do seu sítio?

— Uai, é mesmo. Como viemos parar aqui?

Passamos perdidas na entrada da sua casa? E seu marido disse que está em Kenedy, mas não passou por aqui?

Entramos na casa, Claúdia ligou para Gustavo, era dele que tínhamos nos escondidos, tomamos um banho, colocamos roupas quentes e secas e Luciana conclui.

Nem sempre estamos perdidas, às vezes só precisamos de um banho de chuva para lembrar o quanto a vida é engraçada.

……………………..

“Apaixonada pela vida em todas as suas formas! Mãe, avó, artesã do crochê e escritora por vocação. Encontro inspiração na natureza e tranquilidade nas trilhas da montanha. Palavras e linhas são minhas ferramentas para criar e compartilhar amor.”
Autora de três livros publicados, colunista e integrante de uma comunidade literária.
Atualmente reside em Cachoeiro de Itapemirim-ES.

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