Sopro suspenso
Um instante eterno
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Foi apenas um instante,
um sopro suspenso no tempo,
um labirinto de vertigem
para meus olhos deslumbrados.
Tudo se tornou pálido
quando minha mente se perdeu,
na severa distância oculta
do teu afeto velado.
Assim nasceu nosso encontro,
gravando marcas em minha essência,
quando tua aurora despontava
com promessas de eternidade.
Tua boca é lua crescente
no firmamento da minha alma,
que avança e recua
como marés de desejo.
Amamo-nos de longe,
e a distância nos entrelaça ainda mais,
ela alimenta nossas paixões,
revigora nossos espíritos,
desperta nossos sonhos,
e transforma o amor em chama inquieta.
Gosto de sentir-te próximo,
como o ar que me sustenta,
pois és em minha vida
o sopro da manhã.
De que serve amar-te tanto
se o destino nos dispersa,
se tua alma permanece frágil
com o semblante em fragmentos?
Um dia partiste de súbito,
quando tudo era jovem,
quando o amanhecer sorria,
quando tua vida florescia
em sua mais pura primavera.
E então voaste distante,
com asas de luz e silêncio,
e eu ainda te espero,
ave ou borboleta,
mensageiro do infinito.
Toda manhã recolho
as lágrimas do orvalho
que escorrem da minha essência,
sem compreender ainda
por que o botão repousa na rosa,
quando a rosa
mal aprendeu a florescer.