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Educação

Um processo multilateral e multifásico

Publicado

Autor/Imagem:
José Ngola Carlos, Msc - Texto e Fotos

Pensar educação é um processo multilateral e multifacetado.

A multilateralidade no processo educativo reside no fato de que o próprio ato de educar e educar-se é um que ocorre de vários modos e formas. Isto é, ninguém educa ou se educa por apenas uma via. A educação é o produto da convivência no lar, na vizinhança, na escola, no círculo religioso, etc.

A consequência da multilateralidade, como característica intrínseca da educação, é a de que ela inviabiliza todo e qualquer argumento que se propõe a fazer vítimas e culpados. Somos, em diferentes graus, corresponsáveis por ela ou pela sua falta. Um indivíduo malformado profissional, social e moralmente é produto da presença de maus agentes sociais e ausência de bons modelos que lhe inspirem a boa conduta.

Poder-se-ia objetar que essa concepção é subjetiva. Talvez seja! Portanto, neste ponto, talvez conviesse lembrar que, apesar de nascermos condicionados, ninguém nasce culturalmente predefinido. Não trazemos cultura, adquirimos cultura ao nascer, e só depois, imprimimos nela as nossas próprias impressões. Afinal, todo ser humano nasce despido de preconceitos que, por condicionamento social, e não por determinação inata, aprende, desaprende e/ou reaprende.

Não nascemos produtos acabados; nascemos como potência que cresce para mais potência. E, a multilateralidade é o convite para pensarmos a educação coletivamente e aceitarmos a responsabilidade que é de todos nós.

A multifase, por seu turno, se configura nas diversas fases que a educação compreende. Enquanto a multilateralidade se fundamenta sobre o princípio de que, ninguém se educa por apenas uma via, a multifase tem como princípio o fato de que a educação é um processo gradativo, com ênfase não exclusivista no estudo, reflexão e prática (Rangdrol, 2008).

A consequência da multifase é, portanto, que a educação não tem nela mesma o seu próprio fim. Antes, ela é um meio para se alcançar vários fins, conforme determinação pessoal ou social dos atores.

Ninguém se educa apenas pela recepção passividade, antes, mecaniza-se. É indispensável o movimento formativo da ação-reflexão-ação, aprender-desaprender-reaprender, para que o fenômeno educativo se efetive visando o progresso pessoal e social.

Educar-se é uma necessidade inalienável. É uma responsabilidade pessoal intransferível, dado que, não é possível educar-se por outrem, embora seja possível por outrem educar-se. A necessidade de nos educarmos é imprescindível para a manutenção e progresso social. Existimos para progredir (Kardec, 1857) e é pela educação que o progresso se materializa. O movimento em contrário, o da regressão e da estagnação, não é possível, ainda que queiramos. Cogitável, contudo, é a possibilidade da retardação, pela indolência ou ignorância, mas esta não é equivalente àquelas duas outras.

Educar, portanto, não é uma tarefa exclusiva da escola, nem um processo limitado a determinada etapa da vida. Ela é uma responsabilidade coletiva e, simultaneamente, uma tarefa pessoal que acompanha o ser humano na construção contínua de si mesmo e da sociedade.

Muito obrigado pela sua leitura!

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Malanje, 26 de Agosto de 2026

Como citar este artigo:

Carlos, J. N. (2026:2). Educação: Um Processo Multilateral e Multifásico. Brasília: Notibras – Leitura VIP.

Referências Bibliográficas

Kardec, A. (1857). O Livro dos Espíritos. Luz Espírita.

Rangdrol, S. T. (2008). Food of Bodhisattvas: Buddhist Teachings on Abstaining from Meat. Shechen Publications.

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