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Jardim Botânico de Brasília

Um santuário do Cerrado no coração da capital

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Autor/Imagem:
Janaína Costa - Foto Reprodução

O Jardim Botânico de Brasília (JBB) consolida-se como um dos principais patrimônios ambientais do Distrito Federal. Localizado na região administrativa que leva seu nome, às margens da Rodovia DF 035, o espaço é um refúgio de biodiversidade que recebe visitantes de terça a domingo, das 9h às 17h, oferecendo uma experiência de imersão direta na natureza.

A existência do jardim estava prevista desde os primeiros traços de Brasília. Ao elaborar o Plano Piloto em 1957, o urbanista Lúcio Costa incluiu um Jardim Botânico em suas diretrizes, concebendo-o como um dos “pulmões” da cidade. Na visão original, ele ocuparia uma área próxima ao atual
Complexo Poliesportivo Ayrton Senna, mantendo a simetria bucólica da nova capital.

Entretanto, o projeto inicial precisou ser adaptado devido a questões logísticas e ambientais. A escassez de cursos d’água no local planejado por Lúcio Costa inviabilizou a proposta original. Por décadas, diversas alternativas foram discutidas, incluindo a ideia de um parque zoobotânico unificado na Asa Sul, proposta pelo zoólogo João Moojen de Oliveira em 1959.

Foi somente em 1976 que o destino definitivo do Jardim Botânico começou a ser traçado. Uma comissão de estudos sugeriu a utilização da Estação Florestal Cabeça de Veado, uma área já administrada pela Fundação Zoobotânica. O local foi escolhido por possuir infraestrutura básica e, crucialmente, abundância de recursos hídricos provenientes do Córrego Cabeça de Veado.

Com o apoio técnico do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e a liderança do biólogo Pedro Carlos de Orléans e Bragança, o projeto avançou na década de 80. A inauguração oficial ocorreu em 8 de março de 1985, marcando o surgimento do primeiro Jardim Botânico do Brasil focado em um ecossistema de Cerrado, rompendo com o tradicional modelo estético europeu.

Atualmente, o JBB abrange uma área total de cerca de 5.000 hectares, sendo que 526 hectares são destinados à visitação pública. O restante da área compõe a Estação Ecológica Jardim Botânico de Brasília (EEJBB), uma zona de preservação integral essencial para a manutenção de 25% dos mananciais que abastecem a região, inclusive o Lago Paranoá.

O grande diferencial desta instituição é o foco na conservação in situ, ou seja, a manutenção das coleções de plantas em seu ambiente original. O bioma Cerrado, protagonista do espaço, é o segundo maior do país e abriga milhares de espécies, sendo também um dos mais ameaçados pela expansão urbana e agrícola.

Entre os destaques da estrutura está a Alameda das Nações e dos Estados. Idealizada para representar a diplomacia de Brasília, o setor abriga jardins temáticos como o Jardim Polonês e a Praça de Israel. O projeto, embora previsto desde a fundação, ganhou força a partir de 2017 com a instalação de espaços por embaixadas estrangeiras.

Para o público jovem, o JBB oferece a Biblioteca da Natureza e a Escola Classe Jardim Botânico. Enquanto a biblioteca foca em acervo literário e ambiental para crianças, a escola regular integra o ensino formal da rede pública com uma pedagogia voltada para o cuidado e a preservação do meio ambiente.

A ciência e a pesquisa ganham protagonismo no Cerratenses – Centro de Excelência do Cerrado. Inaugurado em 2015, o centro funciona em uma estrutura moderna que conta com auditório, salas de pesquisa e um mirante estratégico. O local é dedicado a fortalecer o conhecimento técnico sobre a fauna e a flora locais.

Os visitantes que buscam experiências sensoriais encontram no Jardim de Cheiros um espaço de contato direto com ervas medicinais e aromáticas. Próximo a ele, a Casa de Permacultura demonstra sistemas cíclicos e sustentáveis, incluindo unidades de captação de água da chuva e quintais agroflorestais, educando sobre práticas ecológicas.

O aspecto histórico e internacional também é lembrado no Bosque de Kyoto. As árvores plantadas no local homenageiam os países signatários do Protocolo de Kyoto, simbolizando o compromisso global com a redução dos danos ambientais. É um ponto de reflexão sobre as mudanças climáticas dentro da reserva.

A infraestrutura de conhecimento é completada pela Biblioteca do Jardim Botânico, que guarda um acervo de quase 2.700 volumes. Entre teses, mapas e documentos digitais, o espaço é uma fonte rica para pesquisadores e estudantes que desejam aprofundar-se nas complexidades biológicas do bioma brasileiro.

Recentemente, a instituição expandiu sua atuação acadêmica com a criação da Escola Superior do Cerrado. Oferecendo cursos de graduação e pós-graduação de curta duração, o JBB deixa de ser apenas um local de contemplação para se tornar um polo ativo de formação profissional especializada em meio ambiente.

Desde 1993, o Jardim Botânico opera como um órgão autônomo vinculado à Secretaria de Meio Ambiente do DF. Essa independência administrativa permite que o JBB continue sua missão de preservar a biodiversidade e oferecer à população brasiliense um espaço único de educação, lazer e conexão com as raízes naturais do Planalto Central.

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