Previsão do tempo
Um silêncio atravessa a cidade com as folhas caindo antes do outono
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Ultimamente, há um nome que ecoa por todos os cantos, mesmo quando ninguém o pronuncia em voz alta. Está nos corredores, nas mesas de café, nas entrelinhas das conversas apressadas. É como se a cidade inteira girasse em torno de uma única figura, uma sombra grande demais para passar despercebida.
O curioso é que, quanto mais se fala, menos se diz. As frases vêm cheias de metáforas, de pausas longas, de olhares que se cruzam como quem compartilha um segredo coletivo. Não se trata apenas de política, mas de um clima. Um ar pesado, típico de fim de estação, quando o verão ainda insiste, mas o vento já anuncia mudança.
Há quem jure que esse ciclo não verá as folhas caírem. Que o calendário será interrompido antes de chegar ao outono. Não por previsão meteorológica, mas por pressentimento social: aquele tipo de sensação que nasce quando o poder começa a ranger por dentro.
E assim seguimos, vivendo dias em que todos falam da mesma coisa sem nunca dizer o nome. Como se bastasse um sussurro para entender que algo está prestes a mudar de estação. E que alguém deve condenado a, no mínimo, prestar serviços à comunidade.
