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Mito do funk

Uma frase

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Autor/Imagem:
Cadu Matos - Foto Francisco Filipino

Mito do funk, Wagner Domingues Costa, conhecido como Mr Catra, foi autor de tiradas antológicas, muitas delas da pesadíssima, do tipo “A gatinha quer amor, o cara quer dedada” e “Tá me olhando porque quer me dar”. Contarei aqui como surgiu outra frase imortal do cantor e compositor carioca – palavras que se tornaram um apelo e um estímulo às manifestações de altruísmo e caridade entre as pessoas. Não garanto a autenticidade do episódio, mas achei interessante quando me contaram. Quem? Ora, um cavalheiro nunca diz.

Com o perdão da má palavra, suruba, no Rio de Janeiro segue uma etiqueta rígida. Não se trata apenas de chegar, saudar o público e sair por aí traçando homem, mulher, papagaio, periquito, o que pintar. Isso faz parte, claro. Mas como proceder, se você não estiver a fim da dama que se esfrega em você, ou do carinha que tenta introduzir o dedo em seu furico, prenúncio de algo mais avantajado?

Os manuais de etiqueta surubesca eram taxativos: o essencial é que a pessoa rejeitada não se sinta rejeitada. Como fazer isso, dependia da imaginação de cada um: uma dedilhada, uma lambida em seios ou mais embaixo, uma rebolada junto à virilha do penetra, um ensaio ultra-rápido, vapt vupt, de oral ou de masturbação – o inferno era o limite. Eram gestos rituais de uma espécie de namastê da putaria, que poderiam ser traduzidos como “a essência sacaninha em mim saúda a essência sacaninha em você”.

Veterano de orgias, Mr Catra, naquele momento, tinha preocupações bem mais graves do que massagear egos, pintos e pererecas. Estava à beira de um ataque cardíaco de tanto trepar, condição agravada por uma desidratação de responsa, de tanto beber. Sentou-se no chão, junto a uma pilastra, tentando respirar, quando ela se aproximou.

Era uma mulher de meia idade, nem feia, nem bonita. Sorriu para ele e pediu, esperançosa:

– Vai um oralzinho?

– Á… água – murmurou o atleta, com um fio de voz.

– Água? Faço molhadinho, mas com saliva – brincou. Então notou que ele não estava brincando, precisava mesmo se hidratar. Afastou-se rápido e voltou com uma garrafa de 1 litro de água.

Mr Catra bebeu como um camelo que acabou de atravessar o deserto do Saara.

– Mais! – exigiu, a voz já mais forte.

Uns 3 litros depois, sentiu que recuperara as forças. A dama percebeu e atacou de novo:

– E agora, vai um oral?

– Claro, gata, minha salvadora! – e pronunciou as palavras que o imortalizariam:

– Um boquete e um copo d’água não se nega a ninguém!

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