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Animais mágicos

Unicórnios

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Autor/Imagem:
Cadu Matos - Foto Francisco Filipino

Vocês sabem por que os unicórnios, tão fofinhos, desapareceram? Existem várias teorias a respeito, vou expor uma delas.

Em primeiro lugar, eles raríssimas vezes apareceram na Terra. Animais mágicos, habitavam uma dimensão mais etérea, onde conviviam com duendes, fadas, elfos, e também mantícoras, grifos e por aí vai. Apenas alguns poucos humanos, dotados de vidência e da habilidade de se mover entre diferentes planos, conseguiam percebê-los. Foi dessa dimensão encantada que os unicórnios se extinguiram – e esse plano ficou bem mais pobre sem eles.

Porque raros seres míticos tinham o encanto de um potrinho de unicórnio. Todos eles nasciam brancos como a espuma das águas do mar, alvos como a neve; e seu pelo conservava essa coloração enquanto cresciam e brincavam, saltitantes, pelas clareiras dos bosques e pelas pradarias do mundo das fadas. Seus olhos luminosos tinham a limpidez dos seres puros, inocentes de todo (daí a lenda dos humanos de que apenas uma virgem consegue se aproximar de um unicórnio). Mas, ai, esse estado não durava para sempre…

A cada estação, os jovens unicórnios ficavam mais fortes e mais ágeis, e por vezes se detinham, em meio às brincadeiras e correrias pelas clareiras e campinas. Seu olhar expressava, então, a ânsia por algo que não sabiam o que era, mas que sentiam se aproximar. Algo que todos os unicórnios maduros conheciam bem, e que os deixava de coração apertado, só de pensar naquilo que a nova geração logo teria de enfrentar.

Chegava, afinal, o tempo do acasalamento. A fêmea, no cio, urinava nas clareiras, para atrair o jovem macho destinado a ser seu companheiro pelo resto da vida. E este chegava, em meio a dezenas de outros. O pelo de todos, antes branco como a espuma das águas do mar, alvo como a neve, mudava de coloração, assumindo tonalidades mais escuras, associadas aos hormônios do desejo e da violência. Seu olhar, antes luminoso e inocente, assumia a expressão desafiadora de uma fera decidida a abater todos os rivais. O chifre único tornava-se uma arma letal. E, nas clareiras e pradarias, começava o combate de todos contra todos, que só terminava quando um deles, muitas vezes gravemente ferido, montava a fêmea para assegurar a sobrevivência de sua herança genética.

Mas, às vezes, nenhum dos jovens machos sobrevivia. E a fêmea, cujo odor os havia enlouquecido, desistia de viver e em poucos dias juntava-se a seus pretendentes tombados por terra.

Foi isto que ocasionou o desaparecimento dos unicórnios: confrontos brutais para ter direito à transmissão dos genes e que dizimaram a espécie. Em linguagem menos rigorosa, talvez mais poética, seria possível dizer que morreram por amor.

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