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Otimismo exagerado

V da vitória de 01 pode ser levado pelo vento até o quintal do Valdemar

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Ao definir e anunciar o mote de sua campanha presidencial, o candidato Flávio Bolsonaro parece ter, voluntária ou involuntariamente, antecipado o resultado das eleições presidenciais de outubro. Pelo menos é isso que assegura o slogan de sua campanha. “O Brasil vai vencer” com o V estilizado nas cores verde e amarela é uma verdade às avessas. Ao contrário do que pregam os bolsonaristas, o marqueteiro do presidenciável do PL abusou da confiança ao vender a imagem de que o V é o da vitória de 01. Pelo andar da carruagem conduzida pelo filho do mito, tudo indica que a tese sobre a vitória dele não é verdadeira.

Não culpo o senador candidato pelo exagerado otimismo. Pode parecer redundância, mas agrada e acalma a alma sonhar e viver o acender e o apagar das luzes. Mesmo consciente de que sua caminhada é espinhosa e quase cega, vale a pena acordar com ideias para o dia e dormir sem medos e com a certeza de mais uma noite prazerosa. Tudo isso faz parte da vida de quem não tem a cara do Brasil, mas se acha o mais brasileiro de todos os 213,2 milhões de nativos.

Provavelmente o personalismo é a causa das numerosas complicações de um país atolado em desigualdades e em mazelas que cabem no abecedário. Na visão do candidato e de seus seguidores extremistas a ordem é clara: os iguais entendem os iguais e cuidam dos iguais. Ou seja, só cuidam deles. O resto que se vire. Vencer é sinônimo de ser bom em alguma coisa ou ter valores capazes de agregar e não dividir. É ter projetos de governo e não planos pessoais. Fundamentalmente, é pensar no povo e depois em si.

Diante da experiência dos adversários, qual o valor político, administrativo e pessoal do representante da extrema-direita? Não se trata de amaldiçoar os extremos. Pelo contrário. No dicionário de minha cabeceira, direita e esquerda são apenas vocábulos de definição do ser humano destro ou canhoto, do manual de ordem unida dos militares, determinantes do giro do volante dos carros em marcha à ré e politicamente conceituais. Ocorre que nossas consciências e condutas políticas não permitem entender que os conceitos são variáveis. Vencer é inerente a quem é melhor. Simples assim.

Por isso, o V vendido como de vitória pode ter sido apenas vaidade vazia, daquelas que se vão com o vento, não passam de vontade e acabam vagando vampirescamente até o quintal do Valdemar, o Costa Neto. Vadiando pelos conceitos da política, desde a eleição de 2018 os integrantes da esquerda são vistos como inimigos pelos da direita. A maioria esquece que, depois de eleito, seja no Congresso ou na Presidência da República, um indivíduo ou grupo em particular possa eventualmente assumir uma posição mais à esquerda numa matéria e uma postura de direita ou até de tendência extremista em outra. São coisas da política e dos políticos. Teorias à parte, em meu dia a dia os dois verbetes não significam, portanto, linha ideológica, ramificação política ou escalação de políticos.

Insisto na afirmação de que meu partido é a família, minhas cores são o vermelho e preto do Flamengo e minha linha ideológica é a sensatez. Sou conservador para as questões disciplinares e de conduta progressista se os questionamentos são no campo das ideias. Discuto quando sou instigado – e normalmente sou -, mas desligo o telefone ou fecho a boca ao imaginar que estou sendo testado ou quando percebo qualquer tipo de patrulhamento. Abomino polarizações. Por isso, faço e falo o quero, para quem e onde eu quero. Eis a razão pela qual defendo o direito do varão, vacinado e venerando Flávio Bolsonaro antecipadamente se autoproclamar vencedor da disputa presidencial. Sonhar não paga imposto.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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