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Jogo sujo

Vendaval “vorcariano” derruba o inocente telhado de vidro da direita

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Sujo desde que o mundo é mundo, o jogo da política apodreceu de vez nas eleições de 2018, quando uma facada substitui projetos, propostas e ideias e elegeu um craque em negócios particulares, mas neófito em assuntos de interesse de toda a sociedade. Era o tal que, quanto mais falava, mais errava. Por isso, achou mais fácil sempre se manifestar contra o sistema. Mudou quando entrou nele. Foi aí que o tal político de ocasião teve certeza da existência de dois problemas: os importantes, isto é, os dele, e os dos outros.

Para sorte da nação, a partir do jogo sujo do referido cidadão boa parte do povo brasileiro passou a verdade a limpo. Durante sua gestão, provavelmente tivemos coisas boas. Entretanto, como a fase era a de cada um por si e um fingindo que era por todos, as ruins foram de tal forma relevantes que o que era bom acabou terrivelmente ruim. Responsáveis diretos pela escolha de nossos gestores, o eleitorado nacional parece ter percebido a tempo o risco de se acreditar em quem fala demais.

Para a maioria dos eleitores, ficou claro que as atitudes são mais nobres do que palavras soltas no ar. Resumindo, independentemente da força que imaginamos ter, nenhum de nós pode prever o futuro, mas pode fazê-lo acontecer. Foi o que fizeram em 2022 50,90% dos brasileiros aptos a votar. Traduzindo em números absolutos e reais, foram 60.345.999 votos a favor do futuro que se desenhava perene e que deve se consolidar em outubro próximo.

Para o derrotado de 2022, mais difícil do que aceitar o fim, foi descobrir que poucos realmente o achavam importante. Para os patriotas sem bandeiras, foguetes, ódio ou armas, ele sempre foi tanto faz. Deixou herdeiros, os quais, seguindo seu exemplo, permanecem preferindo a agressividade ao diálogo democrático. O castigo veio a galope. Depois de tantas pedras jogadas no telhado alheio, o povo da direita começa a perceber o estrago do vendaval “vorcariano” sobre seu telhado de vidro. Sabem de nada, inocentes!

Esqueceram ou nunca souberam que o vento que venta lá é o mesmo que venta cá. Só se deram conta disso quando o vento trouxe de volta tudo que derrubaram no telhado adversário. E agora, Josés, Joãos e Manés? De forma nua e crua, a Polícia Federal pôs à mesa a conexão e os tentáculos entre poder político, dinheiro, jogo sujo, tráfico de influência, benefícios futuros, a indecência partidária e o crime organizado.

Resta à população que preza pela decência na política escolher nesse emaranhado de corrupção, sem a necessidade de que alguém desenhe, aquele que deve trabalhar contra o encolhimento político, econômico e social do Brasil. A ordem é evitar que a lavagem cerebral com detergente com e sem bacilos alcance os brasileiros que defendem a tese de que tudo pode ser tirado do homem, exceto a escolha do próprio caminho. São os que fogem do câncer chamado conservadorismo.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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