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Foto para parede

Verdadeira história de quem foi e voltou sem nada de politicamente bom

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto Editoria de Artes/IA

Igualzinho ao pai, Jair Bolsonaro, aquele presidente que foi sem nunca ter sido, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da extrema-direita a destronar Luiz Inácio Lula da Silva da Presidência da República, voltou dos Estados Unidos com o novo rótulo de aquele que foi sem nunca ter ido. O pai nada fez enquanto esteve sentado na principal cadeira política do país. O filho, também conhecido por 01, esteve na Casa Branca, mas, ao que tudo indica, não sabe sequer a cor do corrimão que leva os convidados de fé ao sofá vermelho no qual o líder republicano recebe os “parças”.

Faz pouquíssimo tempo, Lula esteve por lá, foi recebido com tapete vermelho, almoço nababesco, paparicado, novamente chamado de amigo e só não falaram juntos com a imprensa por recomendação do presidente do Brasil. Tudo bem que, além de chefe de Estado, Lula é um estadista. Por isso, nada de anormal que, mesmo durante o suposto bate-papo protocolar com 01, Donald Trump tenha perguntado aos Bolsonaro sobre Luiz Inácio e repetido que a reunião dele com o colega brasileiro no início deste mês foi “muito boa”.

Conforme colegas com assento no Comitê de Imprensa da White House, paralelamente aos elogios, Trump teria feito avaliações positivas a respeito do dinamismo, da agilidade e da esperteza política do líder petista. Tudo isso diante de um avermelhado Flávio Bolsonaro. Como qualquer um que sabe ler um pingo como letra e, às vezes, como frase inteira, para mim e para as torcidas do Flamengo e do Corinthians mais claro é impossível.

Ficou evidente que, deliberadamente, Trump esvaziou a foto oficial com os meninos extremistas (Flávio e Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo) para utilização eleitoral. Talvez a permissão tenha se limitado a uma moldura na parede do comitê de campanha do Partido Liberal. Qualquer coisa além disso terá a incômoda presença do fantasma de Lula na fotografia colorida, mas com a marca d’água do petismo.

Mais do que elogiar Luiz Inácio no tète-à-tète que ruborizou dois Bolsonaro, Donald Trump se fez de morto após a “reunião” convocada para se discutir o sexo dos anjos ou, na melhor das hipóteses, para debater uma forma menos dolorosa de cessar soluços ou meios menos violentos de castrar porcos, ursos ou leões no cio. Sepulcral, o silêncio do presidente norte-americano preocupou até os pernilongos que eventualmente dão rasantes na Capela Sistina durante as missas dominicais.

Pelo sim, pelo não, o que tem percorrido as hostes bolsonaristas é somente a versão de Flávio Bolsonaro. Como Trump não se pronunciou e jamais se pronunciará, até o dia 4 de outubro, data da eleição presidencial, ficará o dito pelo não dito, isto é, nada do que Flávio disser merecerá crédito mínimo de 12 meses. Para a maioria dos eleitores, para o mercado e, principalmente, para a mídia especializada vale o que está escrito. Como não há nada nem rascunhado, fica valendo a pergunta que 11 entre dez brasileiros estão se fazendo: Por que ele foi lá? Resumindo, gastou dinheiro do contribuinte para uma viagem que resultou em uma foto que dificilmente será utilizada como capital político.

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