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Tchau, Neymar!

Verdadeiros ídolos do futebol morrem esquecidos

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Amante do futebol desde a mais tenra idade, jamais questionei se o jogador é argentino, norueguês, português, francês, paraguaio ou cabo-verdiano. Ou seja, sei reconhecer quando o atleta é um peladeiro, como sempre fui, um encrenqueiro, um aspirante a craque, um craque que preferiu ser vilão e o verdadeiro ídolo, aquele que, além da intensa admiração, se transforma em imagem de culto por multidões de diferentes línguas, matizes, paixões e até religiões. As principais características de um ídolo são a inspiração que ele causa nos outros, a representação de uma identidade e sua enorme influência pública.

No esporte brasileiro, notadamente no futebol, são incontáveis os ídolos, com destaque para Evaristo de Macedo, Pepe, Zagallo, Ademir da Guia, Pelé, Amarildo, Rivelino, Tostão, Zico, Roberto Dinamite, Falcão, Júnior, entre dezenas, centenas de outros. Na Copa do Mundo dos Estados Unidos, Canadá e México, vi de tudo um pouco, inclusive o goleiro Vozinha, da Seleção de Cabo Verde, que, do alto de seus 40 anos, se transformou do dia para a noite em um ídolo intercontinental. Por mais que tentasse, só do Brasil é que não vi nada.

O fato é que o mundo reverenciou Vozinha. Muito menos do que Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé, Erling Halland, Harry Kane, Lamine Yamal, Jude Bellingham e Kevin De Bruyne, mas comprovadamente muito mais do que Neymar Junior, Casemiro e companhia. Aliás, respeitando seu exército de fãs, ouvi recentemente Neymar dizer, sem nenhuma humildade, que está desistindo da Seleção Brasileira. Trata-se de uma irônica contradição, na medida em que, colocando todos os pesos na balança, o que ele fez com a camisa “canarinho” se aproxima do nada.

Portanto, o mais indicado é dizer que a Seleção não o quer mais. Tchau, Neymar! Tudo bem que, exclusivamente na atualidade, ele tenha sido um jogador acima da média. Entretanto, com muito apreço à meninada que não conheceu os astros da pelota e chegou a ver alguma divindade em Neymar Junior, talvez consiga dizer que o ex-pretenso craque da bola foi – e é – somente um mestre na arte de fazer dinheiro e filhos. Os mares pelos quais ele navegou acabaram por afogá-lo em um pote até o topo de mágoa por jamais ter sido sequer imaginado como o maior jogador do mundo. Tão craques como os mais velhos, Romário, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho, Rivaldo e Kaká mereceram essa glória eterna. Apesar de saber jogar, ele não.

Pior foram as inúmeras vezes que seus contemporâneos Messi e Cristiano Ronaldo chegaram no topo do futebol mundial. Sem remorsos futuros, o que posso dizer ao jogador Neymar Cai Cai é simples: já vai tarde. Como contraponto, desejo toda sorte ao cidadão e ao “homem de negócios” Neymar Júnior. Que pelo menos ele não sofra o que já sofreram numerosos ex-craques brasileiros, entre eles Paulo Valentim, Garrincha, Manga, Jorge Mendonça, Dario, Amaral, Oscar, Luizinho, Marinho Chagas e Josimar, todos esquecidos por seus clubes, pela Seleção, pelo Brasil e pelos torcedores e dirigentes que, um dia, lhes juraram amor eterno.

Ainda vivo, Amarildo, bicampeão da Copa do Mundo pelo Brasil, é o último dos esquecidos pelo futebol. Craque do carioca Botafogo e do italiano Milan dos anos 60 e 70, Amarildo tem um tumor maligno na laringe, sofre de Alzheimer e, sem apoio e reconhecimento, faz anos está internado em um hospital do Rio de Janeiro. Ponta de lança dos bons, Amarildo substituiu o lesionado Pelé na Copa de 1962, no Chile, onde se consagrou. Aliás, nem Lionel Messi conseguiu repetir o feito de Amarildo, Pepe e Mazzola, os três únicos bicampeões consecutivos vivos da história das Copas do Mundo. Mazzola se naturalizou e vive na Itália. Pepe leva uma vida modesta em Santos.

É gratidão demais a quem não merece mais do que um aplauso (apenas um) e demasiada ingratidão a quem nunca foi valorizado da forma que merecia. Coisas do Brasil e dos brasileiros que esquecem facilmente os que já fizeram alguma coisa pelo país e torcem pela glória dos que vivem para se servir da nação. Na Inglaterra ou em qualquer outro país da Europa, o jogador vira ídolo com uma ou duas vitórias. Na Argentina do mito Lionel Messi, Diego Armando Maradona virou igreja cristão. No Brasil, onde é mais fácil forjar mitos, os ídolos acabam no ostracismo quase absoluto.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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