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Cântico dos templos

Verso Sagrado

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Não me faças ausentar de ti,
pois estar longe de tua presença
é como calar o cântico dos templos,
é como apagar o lume das velas eternas.

Não me faças distante,
pois isso não seria verdade,
não seria justo com o coração
que só deseja repousar em tua luz divina.

Se houver distância,
que seja para contemplar teu fogo sagrado,
para ver tua essência dançar
como chama que nunca se extingue.

E se eu for levado a me afastar,
que seja para sentir saudade,
para abraçar-te com fervor
quando o reencontro se tornar rito.

Confio-te o pedido de não me punir
pelos enigmas do destino,
que não sejas tu a esquecer
o que nos une em silêncio profundo.

Diz-me ao ouvido
aquilo que tanto procuro,
aquela voz que me faz suspirar,
o oráculo que preciso para viver.

Aqui estarei, sentado,
vendo tua dança de aurora,
sentindo tuas carícias como véus,
e o colar que balança ao vento
como relíquia em ritual secreto.

Deixa a música me levar,
junto ao ritmo da tua dança,
e deixa os templos celestes
gravarem teu nome em suas paredes.

Deixa o que sinto transbordar,
deixa que meus lábios te percorram
como rio que purifica margens,
como oferenda que toca o altar.

E se quiseres distância,
que seja para ser contemplada,
para ser vista inteira,
para começar de novo.

E de novo ser teu,
como teus são os céus,
como teu é o templo,
como teu é o verso eterno.

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