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Relacionamento

Vida a dois

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

No início do dia teu nome é rotina e sol,
uma vontade simples que ajeita a minha mesa,
um café que sobra na caneca, duas respirações alinhadas,
pequenas cerimônias que tecem o cotidiano.
As mãos, acostumadas, sabem buscar as mesmas coisas,
seguram pratos, cortam pão, recolhem os nossos papéis,
e nessa repetição há constelação: cuidado sem alarde,
um gesto que firma o chão quando o mundo se abala.
As raízes do nosso amor não gritam nem se mostram,
crescem quietas sob o assoalho, em silêncio vão engrossando,
alimentadas por perdões, por risos dados sem cobrança,
por noites em que a presença vale mais que promessas.

Olho teu corpo e encontro ali um mapa de abrigo,
linhas de riso, marcas de quem ficou e escolheu ficar,
e aprendo a reconhecer no tempo a fôrma do lar,
não feita de luxo, mas de confiança, de toque e de contar.
Amar assim é saber plantar junto e colher paciente,
é aceitar que a beleza mora também na rotina,
é regar as pequenas coisas, segurar a tempestade,
e construir, no silêncio, a casa que nos torna porto.

Quando a vida pesar, nossas raízes estarão firmes,
um braço pronto, uma voz que chama, um calor por perto,
porque o amor de alma é isso: uma base que sustenta,
um estar cotidiano que transforma mundo em lar.

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