Caldas Novas-GO
Vídeo recuperado revela emboscada e premeditação em assassinato
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A Polícia Civil de Goiás divulgou nesta quinta-feira (19) imagens decisivas que detalham os últimos momentos da corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos. O vídeo, gravado pela própria vítima no momento em que era atacada, foi recuperado após o celular permanecer 41 dias submerso em uma caixa de esgoto no prédio onde ela morava, em Caldas Novas. A prova técnica confirmou que o crime foi uma emboscada planejada pelo síndico do condomínio, Cléber Rosa de Oliveira.
O crime aconteceu após uma queda de energia no prédio em dezembro de 2025. Daiane, que gerenciava apartamentos da família, desceu ao subsolo para verificar os quadros de luz e começou a filmar a situação para mostrar o problema a uma amiga. Sem que ela soubesse, o vídeo capturou o exato momento em que foi rendida. O celular só foi encontrado porque o próprio síndico, após ser preso e confessar o crime, indicou à polícia que havia jogado o aparelho na tubulação de esgoto durante uma perícia realizada em janeiro.
Nas imagens, o síndico aparece esperando a corretora no subsolo usando luvas e com a caçamba de sua caminhonete aberta, estrategicamente próxima ao local do ataque. Para a polícia, esses detalhes provam a premeditação, ou seja, que ele planejou o ato com antecedência. Após ser rendida, Daiane foi levada para fora do prédio e morta com dois tiros na cabeça disparados por uma pistola .380. Um dos disparos atingiu a vítima de forma fatal, com o projétil saindo pelo olho esquerdo.
A motivação do assassinato foi uma disputa prolongada pela administração de imóveis. Cléber era quem gerenciava os seis apartamentos da família de Daiane, mas perdeu essa função quando ela assumiu o controle. Isso gerou uma série de conflitos que resultaram em 12 processos na Justiça. O síndico já havia sido denunciado anteriormente por perseguição (stalking), pois utilizava as câmeras de segurança do condomínio para monitorar e constranger a corretora.
O corpo de Daiane foi localizado em uma área de mata, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, após 40 dias de desaparecimento. Durante esse tempo, a família suspeitou de crime porque a vítima havia deixado a porta do apartamento aberta e seus óculos de grau em casa, sinais de que não pretendia sair do prédio. A perícia técnica no subsolo e no carro do suspeito também encontrou vestígios que ajudaram a fechar o caso.
O filho de Cléber, Maicon Douglas de Oliveira, também chegou a ser detido sob suspeita de ajudar a esconder provas. No entanto, o delegado João Paulo Mendes esclareceu que, após a análise final das evidências e do vídeo recuperado, o envolvimento dele foi descartado. A polícia informou que o jovem será colocado em liberdade, pois ficou comprovado que a ação criminosa foi executada solitariamente pelo pai.
A defesa do síndico manifestou-se por meio de nota, afirmando que ainda não teve acesso a todo o conteúdo do relatório final da investigação. Os advogados informaram que aguardarão a análise completa dos documentos e perícias inseridos recentemente no processo para apresentar uma manifestação detalhada sobre o caso.
Para as autoridades, a recuperação do vídeo no celular foi o “último ato” da investigação, permitindo concluir o inquérito com provas incontestáveis. O registro feito pela própria Daiane serviu como uma voz póstuma, revelando a traição e a violência sofrida em um ambiente que deveria ser seguro, colocando fim à angústia da família que buscava por respostas há mais de um mês.
Veja o vídeo (Atenção! Imagens chocantes):