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Marina Dutra

Você evita conflitos por que tem medo de desagradar?

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Autor/Imagem:
Marina Dutra - Texto e Foto

Algumas pessoas passam a vida tentando manter a paz, mas acabam se afastando de si mesmas no caminho.

Na nossa série sobre os quatro temperamentos, hoje vamos falar sobre o fleumático.

Talvez você seja aquela pessoa que quase nunca discute. A que escuta todo mundo, tenta entender os dois lados, evita levantar a voz e faz o possível para não criar problema com ninguém.

Quem olha de fora costuma dizer: “Fulano é tão calmo.”

E, de fato, o fleumático costuma transmitir tranquilidade, segurança e equilíbrio. Ele não gosta de ambientes turbulentos, prefere relações estáveis e normalmente pensa bastante antes de agir.

O problema é que, muitas vezes, essa calma vem acompanhada de um hábito perigoso: engolir o que sente para evitar desconforto.

O fleumático tende a ceder mais do que deveria. Diz “tudo bem” quando não está tudo bem. Aceita situações para não decepcionar os outros. Vai adiando conversas importantes e, quando percebe, está carregando um acúmulo silencioso de frustrações.

E aqui existe uma diferença importante: ser uma pessoa pacífica não é o mesmo que ser uma pessoa sem necessidades.

Muita gente com esse perfil aprendeu, desde cedo, que era melhor não incomodar. Então se acostumou a ficar em segundo plano, a esperar que percebam suas necessidades e a acreditar que pedir algo é egoísmo.

Só que quem nunca se posiciona corre o risco de ser esquecido — inclusive por si mesmo.

Outra característica comum é a dificuldade para tomar decisões. O fleumático costuma analisar muito, considerar todas as possibilidades e tentar evitar erros. Com isso, oportunidades podem ser adiadas e escolhas importantes ficam sempre para depois.

Enquanto o colérico age rápido e o sanguíneo age por entusiasmo, o fleumático muitas vezes fica parado entre o “e se der errado?” e o “melhor deixar como está”.

Nos relacionamentos, ele costuma ser leal, cuidadoso e constante. Demonstra amor mais pelas atitudes do que pelas palavras. É alguém em quem se pode confiar.

Mas também pode se magoar em silêncio. Como não gosta de confronto, guarda sentimentos esperando que o outro perceba sozinho. E quando isso não acontece, sente-se invisível.

Se você se identificou com esse perfil, talvez a pergunta mais importante seja: quantas vezes você disse “sim” querendo dizer “não”?

Aprender a se posicionar não vai transformar você em uma pessoa agressiva. Colocar limites não destrói relações saudáveis. Expressar o que sente não é falta de educação.

O fleumático precisa entender que manter a harmonia não significa se anular.

E se você convive com alguém assim, lembre-se: o silêncio nem sempre significa concordância. Muitas vezes, significa apenas que a pessoa não encontrou coragem para dizer o que realmente sente.

Na terapia, esse é um dos aprendizados mais libertadores para o fleumático: descobrir que ele pode continuar sendo gentil sem deixar de ser firme, continuar sendo calmo sem precisar engolir tudo e continuar cuidando dos outros sem abandonar a si mesmo.

Porque a verdadeira paz não nasce da ausência de conflitos.

Ela nasce quando você consegue ser quem é, sem medo de perder o amor das pessoas por causa disso.

Reflexão da semana

Você tem evitado conflitos por sabedoria… ou por medo de desagradar?

Às vezes, a pessoa que parece mais tranquila é justamente aquela que passou a vida inteira escondendo as próprias necessidades para manter a paz ao redor.

Na próxima semana, vamos falar sobre o temperamento colérico: pessoas fortes, determinadas e objetivas, que costumam assumir o controle das situações, mas que também enfrentam desafios importantes quando o assunto é impaciência, controle e dificuldade de demonstrar vulnerabilidade.

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Marina Dutra – Terapeuta Integrativa
Acompanhe a nova temporada de lives no Instagram @sersuperconsciente.
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